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A moratória bate a porta

por Redação Carta Capital — publicado 23/07/2011 11h53, última modificação 24/07/2011 10h19
Reunião convocada para o sábado termina sem acordo e impasse sobre aumento do teto da dívida permanece. Obama alerta para responsabilidade do Congresso

Atualizado às 10:20 do domingo (24)

Após mais um fracasso das negociações para tentar elevar o teto da dívida pública dos Estados Unidos, hoje em 14 trilhões de dólares, o presidente Barack Obama convocou uma reunião entre líderes republicanos de democratas na Câmara e no Senado para tentar encontrar uma solução para o impasse. No encontro de 50 minutos, realizado no sábado 23, Obama defendeu que o acordo deveria ser pensado a longo prazo, eliminando a possibilidade de um novo embate político sobre o aumento da dívida pública nos próximos meses. "Como a situação atual deixa claro, seria uma irresponsabilidade colocar em poucos meses nosso país e nossa economia de novo em risco por causa de outra batalha para aumentar o teto da dívida", disse o presidente segundo comunicado de seu porta-voz Jay Carney. O encontro não trouxe solução para o impasse.

Ao sair da reunião, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, garantiu que o Congresso estava empenhado nas negociações. Obama têm destacado a responsabilidade do Congresso de não permitir os pagamentos da dívida norte-americana.

Na sexta-feira 23, o republicano John Boehner, lidere do seu partido na Câmara, retirou-se do debate e aumentou a indecisão sobre o futuro da dívida do país.

O próprio governo dos EUA estima que se o teto da dívida não for elevado até 2 de agosto, o país terá de parar de cumprir seus compromissos financeiros, acarretando, além do mais, na desestabilização das demais economias ao redor do globo.

Obama esperava que, com um acordo costurado entre democratas e republicanos na sexta-feira 22, a proposta de elevação do limite da dívida tramitaria com tempo no Congresso e evitaria o calote. Em um discurso na manhã deste sábado 23, ele classificou de “extraordinariamente justo” o acordo e disse não compreender as razões pelas quais Boehner resistiu.

Velha fórmula
O embate por um plano fiscal que possibilitaria reduzir o déficit norte-americano e, assim, conseguir o aumento do limite da dívida esbarra em uma antiga fórmula do debate entre democratas e republicanos. Basicamente, os republicanos defendem profundos cortes nas despesas fiscais enquanto que os democratas exigem mais impostos para os ricos e as grandes corporações. “Não é correto pedir às famílias de classe média que paguem mais pela universidade antes de pedir às grandes corporações que paguem sua justa parcela dos impostos”, argumentou Obama.

Já o líder republicano afirmou que para fazer a economia crescer são precisos cortes reais de gastos, sem aumento de impostos. "Negociar com o Casa Branca é como negociar com um pote de gelatina", ironizou.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o acordo que estava sendo discutido por Obama e Boehner previa um corte de mais de seis bilhões de dólares nas despesas da Previdência e dos programas de saúde nos próximos 10 anos. Haveria também redução dos despesas militares. Além do mais, Obama pressionava para o fim da redução de impostos para grandes empresas e pessoas com arrecadação superior a 250 mil dólares por ano.