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A economia brasileira está em franco desaquecimento

por Luis Nassif publicado 29/11/2011 09h28, última modificação 29/11/2011 09h28
'O mundo mudou, as fontes mudaram, as análises mudaram. Mas a pauta da imprensa econômica continua a mesma de 20 anos atrás'

Estudos de consultorias econômicas respeitadas prevêem que o PIB de 2011 registrará uma expansão de apenas 4% nos investimentos, contra 21,9% em 21010. A demanda interna não deverá avançar mais do que 4%, em comparação com 9% do ano passado. Desses 4%, mais de 1% será atendido por importações, reduzindo ainda mais a projeção de crescimento do PIB.

Há um dado adicional. Como o ano iniciou relativamente aquecido, significa que o crescimento corrente - o que está ocorrendo agora - provavelmente está perto de zero, com ameaça de registrar queda nos próximos trimestres.

Significa que o Banco Central errou no ritmo de redução da taxa de juros - apesar da queda de meio ponto, em setembro, ter sido saudada como uma mudança de linha. Significa que não acreditou no efeito das medidas prudenciais adotadas no final de 2010. Manteve a taxa Selic em alta até a penúltima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), quando já se temia que a economia pudesse desabar.

No entanto, quem ler o Estado de São Paulo de ontem, levará um susto: "economistas temem volta da inflação". A reportagem é com três ou quatro economistas.

Com a economia desabando, apenas um dos entrevistados comete essa enorme bobagem de defender juros elevados porque a inflação "poderia" voltar: Gustavo Loyolla, ex-presidente do Banco Central, em cuja gestão o país acumulou a maior dívida da sua história, sem contrapartida de ativos.

No regime militar, ao endividamento criado correspondiam obras, estatais levantadas. No período Loyolla, foi desperdício puro, com a dívida líquida subindo de 20 para mais de 50%, sem acrescentar um tijolo aos ativos nacionais.

Em março de 1995, Pérsio Arida aumentou violentamente a taxa Selic, para 45% ao ano. Havia uma justificativa, uma corrida contra o real que ameaçava desestabilizar o câmbio.

Nessas circunstâncias, todo país racional aumenta os juros. Passada a corrida, trata de trazê-lo para baixo o mais rapidamente possível.

Loyolla nada fez. Baixou os juros de forma lentíssima e gradual, sob a alegação estúpida de que "ficaria mal se o BC derrubasse os juros e depois precisasse elevá-los novamente".

Em qualquer país sério do mundo, com uma opinião pública minimamente informada, essa declaração custaria o cargo ao presidente do BC, pela falta de senso.

Ao longo da história econômica do país, poucas decisões individuais foram tão nefastas e com consequências negativas tão duradouras quanto a política monetária de Loyolla, consolidada em cima de bordões de mesa de bar.

Apenas uma se iguala em malefícios: a decisão do Ministro Maílson da Nóbrega, em 1988, de permitir a conversão de dívidas de dólares em cruzados novos - que catapultou a inflação para mais de 80% ao mês.

Ambos jamais tiveram formação acadêmica sólida, jamais desenvolveram análises sofisticadas sobre a economia, provavelmente seriam incapazes de uma análise acurada sobre os dados do PIB.

Limitam-se a dar palpites, tão válidos quanto qualquer discussão de bar.

O mundo mudou, as fontes mudaram, as análises mudaram. Mas a pauta da imprensa econômica continua a mesma de 20 anos atrás.

Pior: em cima de fontes que erraram em todos os momentos graves da economia.