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Economia

Inadimplência

A corrida para o Natal começa

por Clara Roman — publicado 29/09/2011 12h02, última modificação 01/10/2011 18h56
Com alta inadimplência, empresas negociam com quem está endividado para não prejudicar compras de final de ano

A inadimplência aumentou. O crescimento dos índices, que em agosto chegou a 5,3% (o maior patamar desde janeiro de 2010), é resultado dos altos juros, inflação e redução progressiva de prazos, além da expansão do estoque de crédito - que subiu 1,7% no úlitmo mês e chegou a 1,888 trilhão de reais de acordo com o Banco Central.

À medida que o Natal se aproxima, empresas têm procurado formas de negociar a dívida com seus consumidores para não atrapalhar o ritmo das compras de fim de ano. Segundo Cláudio Felisoni, presidente do Programa de Administração de Varejo (PROVAR), a inadimplência subiu 17% em relação ao ano passado. Mas é normal que diminua nessa época do ano. “Se você olhar a pendência da inadimplência você percebe que em dezembro ela cai significativamente. É algo que acontece com regularidade”, diz ele.

A Serasa Experian, já conhecida por fiscalizar os endividados, criou um programa lucrativo para auxiliar as empresas a cobrar os inadimplentes. A Campanha de Recuperação e Concessão de Crédito Natal 2011 consiste em fornecer dados dos consumidores às empresas, mediante pagamento. Assim, segundo a Serasa, as empresas poderão "ajudar seus devedores" e saber qual deles tem reais condições de pagar e como efetuar as negociações de dívidas. Vander Nagata, superintendente da Serasa, explica que financeiras, teles, cartões de crédito, e de Tevê a cabo e que possuem um número muito grande de clientes, são as principais credoras.

Ainda que o endividamento tenha crescido e a economia tenha sido abalada com a crise internacional, o Brasil se encontra em uma posição confortável. Isso porque o país ainda mantém uma regulação forte de seu crédito, ao contrário de países desenvolvidos, com renda média mais alta e com muito menos controle. Mas, Felisoni alerta, a inflação alta acelera a inadimplência. “A inflação está muito alta e onera mais as pessoas que ganham menos”, afirma o especialista.

Ele explica que o aumento do consumo e demanda contribuiu para a alta de preços, uma vez que o país não tem conseguido responder às necessidades geradas pelo mercado consumidor nascente, que cresce em média 12% ao ano. Com as altas taxas de juros, é natural que haja um maior endividamento. Mas, com o aumento de renda, tudo indica que o consumidor dará conta.

Nagata aponta para um outro fator percebido pela Serasa. O perfil do consumidor mudou. As empresas devem ter essa compreensão na hora de conceder crédito. “O brasileiro tem ímpeto de consumo bastante forte”, afirma. E acaba abusando de recursos de crédito. A concessão do cheque especial, por exemplo, cresceu 10,3% em agosto comparado a julho de 2011 e 18,09% em relação ao mesmo período de 2010. Muitos desses consumidores fazem parte da nova classe média e alcançam pela primeira vez o crédito fácil. Às vezes, se descontrolam.

Um ponto interessante constatado pela Serasa é que, mais do que renda e emprego, o descontrole financeiro está ligado a um perfil pessoal. Isto é, algumas pessoas são propensas a se endividar, enquanto outras, às vezes com menos dinheiro, não têm esse problema. O que muda, segundo ele, é a forma como se lida com a balança entre gasto e renda. “Traduzindo, é comprar além do que é capaz de pagar, assumindo dívidas sem saber”, diz.

Felisoni dá duas dicas para quem está endividado: uma delas é transferir a dívida para o local onde os juros são mais baixos. Ou seja, fugir do cheque especial, uma das modalidades mais caras de crédito e que chega a 10,23% ao mês ou pegar financiamento em bancos com taxas menores é um bom começo. Além disso, é sempre importante negociar com o credor. “As instituições credoras também têm interesse em continuar recebendo”, afirma o especialista.