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A copa e seu legado

por Brasil Econômico — publicado 08/12/2010 11h59, última modificação 08/12/2010 11h59
O direito de sediar a Copa do Mundo de 2014, em 12 cidades, e a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, somente irá concretizar-se como grande e positiva conquista se viabilizar o resgate dos gargalos da infraestrutura

Por Juan Quirós - Presidente do Grupo Advento e membro do Conselho Global de Construção Sustentável do WEF*

O direito de sediar a Copa do Mundo de 2014, em 12 cidades, e a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, somente irá concretizar-se como grande e positiva conquista se viabilizar o resgate dos gargalos da infraestrutura e, ao mesmo tempo, consolidar o conceito de construções verdes no Brasil.

Essas duas metas devem ser contempladas pelos investimentos realizados em estádios, estradas, aeroportos e ferrovias, dentre outras obras, pois o mais importante das duas competições é o legado para o País e o seu impacto de longo prazo.

Assim, é necessário fazer com precisão a lição de casa preparatória à realização dos dois maiores eventos do calendário esportivo mundial, a começar pelo cumprimento das exigências da Fifa.

Neste sentido, é sempre pertinente enfatizar que, desde 2006, quando ocorreu a Copa da Alemanha, a entidade maior do futebol estabeleceu como regra geral para toda a infraestrutura, em especial de estádios, os princípios da construção civil sustentável.

Que 2014, portanto, seja um marco para a definitiva disseminação e consolidação desse conceito no país. Esta, sem dúvida, seria uma preciosa herança!

O significado das construções verdes torna-se mais evidente neste momento em que todos os olhares voltam-se à Conferência do Clima de Cancún (COP16), no México.

Não será possível celebrar um acordo multilateral para reverter o aquecimento terrestre sem a adoção em larga escala do conceito de sustentabilidade pelo setor da construção civil. Afinal, sabe-se que cerca de 40% das emissões mundiais de CO2 advêm dos edifícios.

No Brasil, as construções são responsáveis por 44% de toda a energia consumida (22% são relativos ao uso residencial; 14% comercial; e 8% prédios públicos).

Segundo o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), os chamados prédios verdes podem gerar economia de até 40% no volume de água e 30% na eletricidade. Para isso, é preciso investimento em tecnologias ambientais equivalente a cerca de 5% do valor da edificação.

Além dos ganhos ecológicos para os indivíduos e a sociedade, estudo do Banco Mundial demonstra que a melhoria da eficiência energética nas construções pode diminuir em 25% o consumo de eletricidade no Brasil, Índia e China. Isso significaria imensa economia de recursos e evitaria expressiva emissão dos gases de efeito estufa.

Os dados são claros para se entender que a importância da Copa do Mundo e da Olimpíada para o Brasil transcende à mera circunstância das competições.

Por isso, é motivo de preocupação o fato de ainda estar incipiente o processo de preparação, em especial se considerarmos que faltam apenas três anos e meio para a bola da Fifa rolar em gramados nacionais.

Quando se observa a pândega relativa ao estádio a ser construído em São Paulo, o risco de colapso aeroportuário, dúvidas quanto à viabilidade do trem-bala entre as capitais paulista e fluminense e a falta de sincronia no cronograma das obras, fica evidente a necessidade de um planejamento eficaz.

Sem isso, o anacrônico improviso irá encarregar-se de prover estádios bonitos para a Copa do Mundo, mas o legado, que é o fundamental, seria catastrófico.

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Juan Quirós é presidente do Grupo Advento e membro do Conselho Global de Construção Sustentável do World Economic Forum (WEF)

*Publicada originalmente no Brasil Econômico