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A arte de enxugar gelo

por André Siqueira — publicado 29/07/2011 09h00, última modificação 29/07/2011 11h02
Em meio a uma guerra contra a valorização do real, o governo ainda não chegou a um consenso quanto ao alcance e ao custo das medidas de proteção às empresas nacionais
A arte de enxugar o gelo

Em meio a uma guerra contra a valorização do real, o governo ainda não chegou a um consenso quanto ao alcance e ao custo das medidas de proteção às empresas nacionais. Foto: Elza Fiúza/ABR

Por razões óbvias, o ex-ministro Antonio Palocci encarnava o “mal” da ortodoxia no governo. Se algum projeto mais ousado não saía do papel, a culpa era do chefe da Casa Civil. Palocci deixou o governo, mas a turma desenvolvimentista não obteve o passe livre. Ao contrário. Uma súbita divergência entre quem parecia jogar no mesmo time ameaça o lançamento da mais heterodoxa medida econômica da gestão Dilma Rousseff, a tão prometida nova política industrial, marcada para a terça-feira 2 e já adiada uma vez.

Técnicos do Ministério da Fazenda, sob o comando de Guido Mantega, têm levantado dúvidas sobre o alcance e o impacto das medidas propostas, cujo principal objetivo é compensar os efeitos danosos da excessiva valorização do real sobre a indústria brasileira. As reuniões com representantes das pastas do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia, envolvidas na discussão, têm sido tensas. A última antes do fechamento desta edição, na manhã da quinta-feira 28, trouxe novos impasses. Como a presidenta Dilma só chegaria da viagem ao Peru na madrugada da sexta, a decisão sobre o escopo do projeto e sobre seu lançamento ficariam para o fim de semana. Das duas, uma: ou se adia o anúncio mais uma vez ou o programa poderá ser mais restrito do que se imaginava, ao menos em sua primeira versão.

No desenho atual, o conjunto de medidas- de desoneração da produção nacional poderia chegar a cerca de 0,5% do PIB, ou 18,5 bilhões de reais. O montante não seria suficiente sequer para cobrir a principal reivindicação da indústria, o corte da contribuição patronal ao INSS, hoje equivalente a 20% da folha de -pagamento, o que daria uma renúncia de 20 bilhões de reais anuais. Apesar da pressão dos industriais, a desoneração da folha não fará parte do pacote, justamente porque a equipe da Fazenda não conseguiu dimensionar seu impacto sobre as contas públicas.*

*Leia a matéria na íntegra na edição 657 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 29