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Análise / Rui Daher

Ministério da Agricultura: o ruim pode sempre piorar

por Rui Daher publicado 24/01/2014 10h54, última modificação 24/01/2014 11h42
O problema é de organização, destinação correta da grana e investimento em quadros técnicos bem preparados e motivados
Marcos Méndez
Agricultura

Soja cultivada em Itaberá, São Paulo, tem como destino o mercado europeu

Inúmeras vezes já me referi aqui e alhures sobre o desastre que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na atual estrutura, representa para a produção agropecuária nacional e, por extensão, o agronegócio.

É uma Pasta subordinada aos humores da Fazenda, com recursos escassos nem sempre totalmente executados. Sofre graves doenças de gestão e tem sido politicamente aparelhado. Planos de reforma sobrevivem nos discursos de posse dos ministros até figurarem nas folhas e telas cotidianas. Logo são esquecidos.

Não se deve confundir tal inoperância com a disponibilização de recursos para a atividade, que tem crescido em proporções razoáveis nos últimos governos.

À exceção de Conab e Embrapa, o MAPA tem-se restringido às obras regulatórias. Ainda assim, mal.

Empresas esperam anos por registros, liberações de produtos para comercialização, elucidações sobre o emaranhado de instruções normativas. Simplificações são anunciadas com pompa pelo governo, mas nunca descem ao intestino do órgão. Assim não se obra.

Técnicos e funcionários administrativos são poucos e desmotivados. Têm autonomia zero e nenhuma influência na torta burocracia do órgão. Recomendo paciência e desaconselho carteiradas com eles. É a quem nos resta recorrer

Nesta Federação de Corporações, está certo quem diz que o ruim pode sempre piorar. Matéria do jornal Valor Econômico, de 21/01/2014, diz: “o orçamento do ministério vem sendo achatado nos últimos anos”.

Verbas corrigidas abaixo da inflação, entre 2009 e 2013, colidem com despesas de pessoal reajustadas acima do índice e impedem a existência de sobras para investimentos. Dos 15 programas existentes em 2009, restaram apenas quatro em funcionamento.

No ano passado, foram destinados R$ 3,8 bilhões para o MAPA. Do total de R$ 3,3 bilhões realizados, 87% serviram para pagamento de funcionários ativos e inativos. Entendam: dos 33 mil funcionários lá registrados, apenas 1/3 de ativos. Aos inativos e pensionistas pagou-se R$ 1,3 bilhão.

Números que a reportagem trouxe do Portal da Transparência. Corretíssimos, pois. Nem precisaria tanto. Uma visita ou solicitação ao escritório regional do MAPA, em São Paulo, evidenciaria o descaso que vem de Brasília.

Segundo o Valor, “O sucateamento da máquina administrativa é visível. Há departamentos em que os funcionários trabalham sem impressora, papel e material de escritório”.

O problema é de organização, destinação correta da grana e investimento em quadros técnicos bem preparados e motivados.

Na falta, perpetuar-se-á uma trava sem ABS no agronegócio.

Meu ódio será tua herança. Esse o título dado no Brasil ao excelente western “The Wild Bunch”, dirigido por Sam Peckinpah (EUA, 1969). A tradução direta leva a “O Bando Selvagem”.

As duas versões são adequadas às cada vez mais frequentes e furiosas críticas que a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), tem dedicado à questão indígena em suas colunas semanais para a Folha de São Paulo. Alguns trechos aproximam-se do paroxismo.

A ira não vai direto aos índios, que tola a senadora não é. Considera-os massa de manobra da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), antropólogos e ONGs.

Surpreendente é não vermos uma resposta clara, direta e contundente da FUNAI aos argumentos de quem a critica.

Os desanimados. Nas últimas décadas, poucas vezes os empresários nacionais da agropecuária puderam contar favores conjunturais. Nem por isso desanimaram e pararam de investir. Os resultados estão aí.

Seus perrengues históricos foram equivalentes ou até piores dos que têm causado muxoxos e beicinhos nos setores financeiro, industrial e de serviços.

Os primeiros, sempre nadaram como continuarão a nadar de braçadas em privilégios da economia. Acabam de conquistar o que pediam ao Banco Central. Na indústria, o câmbio que bateu aqui também bateu na agropecuária exportadora. O setor de serviços reajusta preços a bel prazer.

E nós? Tudo bem. Vem aí a pátria de chuteiras.

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