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Economia

Diálogos Capitais

2011-2014: O Brasil e os desafios do novo ciclo de desenvolvimento

por Bruno Huberman — publicado 06/12/2010 17h01, última modificação 08/12/2010 18h11
Em seminário promovido pelo CartaCapital no Rio de Janeiro, o ministro Guido Mantega cita como maior desafio do próximo governo diminuir os gastos estatais para permitir maior investimento do setor privado
2011-2014: O Brasil e o novo ciclo de desenvolvimento

Em seminário promovido pelo CartaCapital no Rio de Janeiro, o ministro Guido Mantega cita como maior desafio do próximo governo diminuir os gastos estatais para permitir maior investimento do setor privado. Foto: Bruno Huberman

A primeira mesa dos Diálogos Capitais, com o tema de “2011-2014: O Brasil e os desafios do novo ciclo de desenvolvimento”, promovido pela CartaCapital nesta segunda-feira 6 no Rio de Janeiro, teve como foco o que o Brasil tem que fazer para ultrapassar o atual estágio de crescimento e atingir um novo patamar. Foi destacada como principal alteração da conjuntura econômica corrente, pela maioria dos debatedores, a diminuição da taxa de juros.

Com o título de “A conjuntura econômica e as perspectivas para o governo Dilma Rousseff”, o debate contou com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Vieira, o vice-presidente do conselho administrativo da Camargo Corrêa, Luis Roberto Ortiz Nascimento, o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival, e o professor da UFRJ, David Kupfer. A mediação ficou por conta do editor da revista Mauricio Dias.

Mantega, confirmado no mesmo cargo para o próximo governo, iniciou sua fala apontando o grande crescimento do Brasil no governo Lula, em que “deixamos de ser o patinho feio do BRIC e agora exercemos um papel importante na conjuntura econômica internacional.” Durante os últimos oito anos, cresceu o número de consumidores, diminuiu a quantidade de desempregados, a inflação foi contida, o crédito foi ampliado e a classe média se expandiu, o que levou ao encolhimento das camadas mais pobres da sociedade. Todas essas conquistas levaram ao que o ministro chamou de início do “Estado de bem-estar social”, em alusão ao “well-fare state” do governo americano.

Essa força da economia nacional ficou evidente na crise financeira de 2008, quando o presidente disse que ia ser apenas uma “marolinha” e foi. “Nunca o Brasil se recuperou tão rapidamente de uma crise”, afirmou Mantega. O País se recuperou rapidamente graças aos massivos investimentos do Estado e tornou o Brasil, neste pós-crise, o país com os melhor índices de confiança na América Latina. Para o próximo ciclo de desenvolvimento, o ministro destaca a necessidade de diminuir os gastos públicos, ou seja, a consolidar a receita fiscal. No entanto, não se trata “dos velhos ajustes fiscais que derrubavam a economia.” O que o ministro pretende é criar espaços para um maior investimento do setor privado para dar continuidade ao que chamou de desenvolvimento “sustentável” da economia. Assim permitir diminuição da taxa de juros.

O presidente da Firjan, Eduardo Vieira, foi na onda de Mantega, defendeu a diminuição dos gastos estatais e o maior investimento do setor privado para continuar o desenvolvimento brasileiro. Luiz Roberto Nascimento, vice-presidente da Camargo Corrêa, ressaltou o grande crescimento da empresa como reflexo do bom momento econômico vivido pelo País e citou como exemplo do aumento do volume de empregos a dificuldade de contratar mão-de-obra para um estaleiro no Recife, quando foram obrigado a importar trabalhadores para suprir a demanda.

O vice-presidente da Caixa, Márcio Percival, baseou a sua fala no aumento de crédito, público e privado, no último período, que possibilitou a consolidação da economia e fez com que a crise de 2008 não tivesse o mesmo impacto no Brasil como teve no resto do mundo. Já o professor da UFRJ, David Kupfer, lembrou a desindustrialização do setor produtivo brasileiro, em detrimento do crescimento da área de serviços, que pode levar a problemas estruturais no futuro. Para Kupfer, o próximo ciclo de crescimento será mais duro que o atual porque o País terá que enfrentar os antigos problemas do processo de industrialização.

À tarde, o debate será sobre “O Brasil e sua integração com o mundo: o que pode mudar na nossa política de exportação”, com a presença do senador Aloísio Mercadante (PT-SP), o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Benedicto Moreira, o diretor de negócios da Apex-Brasil, Mauricio Borges e o diretor do IPEA, João Sicsú.

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