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Transportes: os modais do desenvolvimento

por Envolverde — publicado 20/03/2014 09h14
A capacidade pública de investir é grande, mas os desafios são gigantescos, alerta ex-ministro Paulo Sérgio Passos
André Luy
Paulo Sergio Passos

O ex-ministro dos Transportes Paulo Sérgio Passos

O ex-ministro dos Transportes Paulo Sérgio Passos, atual diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), abriu o último diálogo do “Fórum Brasil: Diálogos para o Futuro”, evento realizado pela CartaCapital, na tarde desta quarta-feira 19, para falar sobre o tema “Transporte: Os Modais do Desenvolvimento”. No início de sua exposição, Passos convidou os presentes a imaginar um cenário em que não existissem os tipos tipos de transporte hoje utilizados. A provocação veio com a resposta imediata: “Isso significaria pressão no volume de transações financeiras e um impacto na geração de emprego e renda, bem como no desenvolvimento como um todo”. Ou seja, é impensável para um país crescer sem uma malha de logística.

O presidente da EPL lembrou que, na história brasileira, a expansão dos transportes começou pelo litoral e prevaleceu o modal rodoviário em detrimento do ferroviário. Em sua avaliação, isso não condiz com o tamanho e porte econômico do país. “Temos um ‘gap’ de investimentos na infraestrutura geral do transporte desde os anos 1980, questão presente no centro das preocupações do atual e dos futuros governos.”

No final na década de 1990, o Brasil tinha 2 bilhões de reais investidos em todos os segmentos de transporte. Hoje esta cifra chega a 15 bilhões de reais. O quadro, segundo ele, mostra uma evolução positiva, sobretudo com as rodovias mais bem estruturadas – são mais de seis mil quilômetros recapeados.

“É muito significativa, por exemplo, a pavimentação da BR-163 no estado do Pará: redução de tempo de estrada, energia e custos para o transporte de cargas em direção à costa, na Bahia.”

Ainda assim, alertou, ainda há muito a ser feito. “A capacidade pública de investir é grande, mas os desafios são gigantescos.”

Nesse aspecto, afirmou, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem um papel importante, mas não suficiente. E o governo está buscando parcerias com o setor privado para dar conta de toda a necessidade. As concessões rodoviárias foram o start do trabalho conjunto. Dados recentes mostram atualmente existem 4.250 quilômetros de concessões de estradas transferidas para administração de empresas ou consórcios.

“O reconhecimento de que é necessário aliar os investimentos públicos aos privados gerou o Programa Intermodal e Logístico do governo. Há previsão de que sejam concedidos 11 mil quilômetros de ferrovias”, informou o diretor-presidente da EPL. Para Passos, o esforço deve se espalhar por outras áreas.

Sob mediação do jornalista Carlos Drummond, editor de economia da CartaCapital, o debate teve a participação de Paulo Cesena, presidente da Odebrecht Transport; Roberto Cortes, presidente da Volkswagen MAN; Mauricio Soares Vasconcellos, presidente da CCR AutoBan, e Luiz Carlos Andrade Júnior, vice-presidente executivo da Toyota do Brasil.

Em suas falas, os especialistas concordaram que o transporte ferroviário no País foi relegado durante muito tempo e que hoje é necessário reativar esse modal. Se o setor rodoviário tem o benefício do “porta-a-porta”, as estradas de ferro são importantes por seu baixo custo e vocação para o escoamento das commodities.

Mares e rios - Outra área de logística imprescindível é o da área naval, sobre o qual os investimentos do governo têm um grande peso. “Estamos investindo em novos estaleiros, na modernização dos existentes e em sua maior capacidade para embarcar mercadorias”, disse Passos. As embarcações, disse, são um dos elos fundamentais das cadeias de petróleo e gás brasileiros.

Para o transporte hidroviário há ainda pouco planejamento, mas o governo quer aumentar em 500 mil quilômetros o uso dos rios brasileiros, mesmo consciente dos custos dessa empreitada. Os contratos que pretende fechar são parcerias público-privadas. No horizonte oficial estão os caminhos fluviais altamente navegáveis, caso dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, todos na Amazônia. Em São Paulo, uma parceria entre os governos federal e estadual da ordem de 1,5 bilhão de reais foi firmado para a recuperação do rio Tietê para esta finalidade.

A construção e melhoria dos portos também foram apontadas como um tema a ser encarado como prioritário para a ampliação do comércio internacional.

 

Isabel Gnaccarini, da Envolverde, especial para CartaCapital