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Desenvolvimento Local

Desafios e estratégias para o desenvolvimento na região amazônica

por Ingrid Bico — publicado 10/12/2014 17h18, última modificação 10/12/2014 17h55
Em evento promovido por CartaCapital, capacitação de jovens, mobilidade urbana e integração social são as medidas indicadas para diminuir disparidades entre as cidades
Tarso Sarraf
Diálogos Capitais em Belém

Para especialistas, capacidade empreendedora do jovem é força motriz do desenvolvimento sustentável

Belém é uma cidade de formação peculiar: mais da metade de seu território é formado por ilhas no entorno do centro urbano. Como metrópole fluvial, a integração entre os espaços, físicos e sociais, é sempre priorizada nos planos de desenvolvimento econômico. Porém, a ausência de saneamento básico, a falta de incentivo ao pequeno produtor e o atraso nas obras de mobilidade urbana são alguns problemas que deixam grande parte da população longe de uma realidade metropolitana ideal – situação similar à maioria dos municípios da região Norte do Brasil.

Para discutir soluções e estratégias de desenvolvimento sustentável na região amazônica, CartaCapital, em parceria com o Instituto Envolverde, promoveu em Belém, um encontro entre especialistas, autoridades e a sociedade civil. O evento integra a série Diálogos Capitais e foi realizado pela primeira vez na região Norte.

O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, abriu o encontro ressaltando a importância de um plano de desenvolvimento adequado à região. “Precisamos identificar as vocações das cidades e montar estratégias pertinentes às nossas realidades. Em Belém, por exemplo, é necessário melhorar a logística de transporte de pessoas e de produtos, já que 65% de nosso território é formado por ilhas”, destacou.

Os aspectos discutidos por Coutinho foram reiterados pelo secretário executivo da Rede Nossa Belém, José Francisco Ramos, que também indicou a mobilidade urbana e a destinação dos resíduos sólidos como fatores de grande influência na economia das cidades. “A integração metropolitana é fundamental para o desenvolvimento, mas também precisamos de uma nova cadeia de produção, de caráter sustentável e de desenvolvimento limpo”, afirmou.

Ramos destacou a participação social como agente de mudança. “O governo tem muitos planos, mas nem sempre há agentes suficientes para colocá-los em prática ou fiscalizá-los. Sem a participação social, os planos nunca sairão do papel”, disse.

A mobilidade urbana em Belém foi duramente criticada pelo especialista, que considera este item vital ao desenvolvimento de qualquer cidade. “A situação em Belém é crítica, e posso dizer que se há algo que influi diretamente no desenvolvimento local é a mobilidade. Sem ela, a cidade se torna intransitável e acaba tornando impossível o trabalho, a geração de renda, e assim sucessivamente”, enumerou.

Ramos acredita que as soluções para os problemas de desenvolvimento sustentável, incluindo a exploração de recursos naturais, devem vir da análise real dos mercados. “Na região amazônica, incluindo Belém, precisamos concentrar os esforços em buscar um valor real de acordo com a floresta que fornecemos. O retorno financeiro da exploração florestal precisa ser justo, e muitas vezes não é. Como melhorar a situação? Tratando adequadamente as nossas realidades e com a participação de toda a sociedade”, concluiu.

Já no encontro entre João Coral, diretor de Energia e Institucional da Vale, João Meirelles, do Instituto Peabiru, e Suênia de Souza, diretora do Centro Sebrae de Sustentabilidade, os especialistas destacaram a capacidade empreendedora, especialmente dos jovens, como força motriz do desenvolvimento sustentável e da geração de renda local.

“Empreender seu próprio negócio é o sonho da maioria dos brasileiros, mas as pessoas têm de buscar desenvolver estas características. Ninguém nasce com esse dom; ele deve ser estimulado”, explicou Suênia. Segundo ela, no Brasil há 10,5 milhões de pequenos negócios, sendo que 31% deles estão nas capitais e 69% no interior.

“Um ambiente regulatório com políticas públicas que estimulem o mercado é necessário porque metade dos empreendedores nem sabe do que se trata uma gestão sustentável. O próprio desenvolvimento sustentável do Brasil passa pelos pequenos negócios. Sem uma atuação conjunta, é impossível obtermos resultados satisfatórios”, concluiu.

Com base nas comunidades ribeirinhas que compõem a população de Belém, João Meirelles acrescentou à discussão o fato de ser necessário investir mais nos jovens. “Eles são a solução, o fator mobilizador capaz de mudar não só a realidade de Belém, mas também de suas próprias cidades. Capacitá-los é dar instrumentos para que possam colaborar desde cedo com a construção de uma sociedade mais consciente e preocupada com o futuro”, destacou.

Finalizando a discussão, João Coral ressaltou a influência das grandes indústrias no desenvolvimento local, pela geração de emprego e renda. Contudo, como apontado por Meirelles, deve-se lembrar que grandes indústrias e grandes investimentos precisam estar ligados a um trabalho de orientação e de educação financeira, para que a população não transforme sua renda em incentivo a fatores como tráfico de drogas e prostituição infantil.