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Eduardo Campos: "Vivemos uma crise de confiança e precisamos de um novo pacto social"

por Neuza Árbocz — publicado 18/03/2014 13h13, última modificação 06/06/2015 18h09
O pré-candidato à presidência pelo PSB afirmou que o Brasil precisa de planos a longo prazo para vencer a desconfiança da população
André Luy
Eduardo Campos

Em evento de CartaCapital, Eduardo Campos defendeu a reforma política

O governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, lembrou na manhã desta terça-feira 18 da necessidade de um olhar com perspectiva histórica para se compreender o momento presente. "Tivemos uma abertura política, mas que não cumpriu seus compromissos com a população, o que causou o impeachment e preparou o ciclo vivido sob o presidente Lula. Avançamos em diversas frentes, como no combate à inflação e à pobreza. Mas há mais a ser feito", pontuou, lembrando os novos desafios surgidos a partir da crise financeira mundial de 2008.

Durante apresentação do "Fórum Brasil: Diálogos para o Futuro", Campos retomou a fala do economista norte-americano Paul Krugman, cuja palestra abriu o evento nesta terça-feira. "A crise de 2008, como bem falou Paul Krugman, deixa consequências e efeitos por duas décadas. Como compreender a natureza desta crise? É uma crise de valores, do padrão de desenvolvimento, da mudança da plataforma de comunicação, da busca pela qualidade de vida para além de consumir. Do ter para o ser e viver em cidades melhores", avaliou.

O governador afirmou ainda que precisamos de uma mudança de regime, de atitudes e, sobretudo, de uma reflexão, a longo prazo, de onde viemos e para onde queremos ir. Para Campos, vivemos uma crise de confiança e o Brasil pode estar ficando atrasado frente ao comércio internacional, por exemplo.

"Em junho de 2013, a sociedade expressou mais uma vez seu incômodo pedindo uma nova agenda política que respeite seus anseios. Na ausência desta agenda e da identificação com o planejamento feito em Brasília, a sociedade foi às ruas. Há uma sensação de que o País parou de melhorar. Os números demonstram isso com clareza. Temos uma taxa de crescimento distinta de nossos pares emergentes. Há uma crise em nossa indústria. Somos quase 200 milhões de brasileiros, mas ocorreu uma expressiva redução em nossa produção industrial. Temos quase 100 bilhões de reais de déficit na balança comercial e temos que fazer o debate desta conjuntura", continuou, defendendo a construção de uma visão equilibrada.

Para Campos, as soluções dependem das escolhas atuais e estas devem focar em dois grandes pilares: melhorar a produtividade brasileira e também a qualidade de vida, que caiu, principalmente nos grandes centros urbanos.

Reforma. Os pressupostos para uma construção eficaz de soluções, segundo Campos, repousam em um diálogo permanente, com intensa escuta da sociedade e a transparência. "Colocar os problemas debaixo do tapete só piora a situação. Temos que resolver nossos desafios agora, enquanto temos 50% de jovens em nossa população".

Campos vê a reforma política como o caminho para alavancar os avanços necessários, tendo os municípios como eixo estruturante. "Hoje, apenas 36% do que a União arrecada vai para eles. Muitos estão empobrecidos. Além disso, existe uma grande burocracia para usufruir de convênios, com cerca de 12 mil funcionários federais carimbando papéis. Precisamos de um novo pacto político para um melhor futuro", afirmou.

"Temos áreas de excelência e outras de precariedade absoluta. Maior participação e controle social de um lado gerarão entregas mais eficientes do outro. Diretrizes de longo prazo, um novo urbanismo para o Brasil e uma mudança no padrão político brasileiro poderão animar um debate com profundidade para além da barganha e resultar em uma verdadeira melhora na vida do povo" concluiu.

*Editora da da Envolverde, especial para CartaCapital