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Cultura baiana mantém posição de destaque, diz Margareth Menezes

por Manuca Ferreira — publicado 17/10/2014 14h57, última modificação 17/10/2014 15h16
Em Salvador, a cantora debateu com Cynara Menezes e Emiliano José as transformações que a área passou nos últimos anos em encontro que acabou com samba de Caymmi
Bruno Resendes
Debate Bahia

Margareth Menezes, Cynara Menezes e Emiliano José

Terra que é berço de Jorge Amado, Dorival Caymmi, Gilberto Gil, João Ubaldo Ribeiro, Glauber Rocha, Caetano Veloso e Maria Bethânia, a Bahia estaria, para alguns, passando por um período de apagamento na cultura. Poderia até ter sido superada por outros estados, como Pernambuco. Nos últimos anos, o estado vizinho presenciou o fortalecimento da sua produção cultural, principalmente no cinema, com cineastas como Kléber Mendonça Filho, autor de O Som ao Redor, e Cláudio Assis, diretor de Amarelo Manga e Baixio das Bestas, entre outros.

Foi este o cerne da mais recente edição do evento Diálogos Capitais nas Livrarias, promovido por CartaCapital. Mediado pela jornalista Cynara Menezes, autora do blog Socialista Morena, o evento que contou com a presença da cantora e produtora cultural Margareth Menezes e do deputado federal e professor Emiliano José (PT), questionou: “A Bahia deixou de ser vanguarda na produção cultural brasileira?”.

Os debatedores, entretanto, discordaram da tese de perda de importância do estado. “Não concordo com o empobrecimento da cultura baiana. Acho que o foco atual de destaque, no que se refere à produção cultural no Brasil, tem franqueado mais espaço para uma produção mais empobrecida, e a Bahia não escapa dessa onda. Ao mesmo tempo, vanguarda não é um posto eterno de colocação. O axé music, que foi um dos mais fortes movimentos musicais populares da atualidade, esteve no auge por 20 anos, com sucesso. Mas é da história de todos os movimentos artísticos que eles tenham o seu tempo”, disse Margareth Menezes, que abriu a discussão.

A cantora disse ainda que a Bahia mantém a sua posição de destaque, citando o nome de diversos artistas baianos contemporâneos que fazem sucesso em suas áreas. Margareth Menezes foi seguida por Emiliano José, que enalteceu as transformações dos últimos anos na área de cultura após a gestão dos ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, ambos baianos, no governo do ex-presidente Lula. “Nós tínhamos uma população imensa da área da cultura que estava invisível. Seguramente, há milhares de Margareths que não tinham, ou ainda não têm, a possibilidade de vir à tona”, argumentou.

A jornalista Maria Garcia que estava presente à plateia lembrou que, na área de políticas culturais, há dois períodos distintos na Bahia: antes e depois do carlismo. Segundo ela, cujo Trabalho de Conclusão de Concurso analisou estas políticas no estado, o que acontecia antes é que o carlismo ligava cultura a turismo e concentrava os recursos em torno de alguns grupos, destacando elementos da “baianidade”.

Emiliano José concordou, e disse que havia 13 grupos culturais beneficiados pelos governos ligados ao ex-senador Antônio Carlos Magalhães e seus aliados políticos. “Quando, no caso da Bahia, assumiu o novo governo, com o governador Wagner, houve uma gritaria geral. O grupo saiu com armas em punho pra cima das políticas democratizantes, que não vieram de cima pra baixo. Houve conferências. Milhares de pessoas na Bahia inteira se reuniram dizendo “essa política (do carlismo) não dá””, declarou.

Além dessa concentração, outro setor criticado durante o debate foi o da comunicação. Margareth Menezes e Emiliano José concordaram que muito do que é feito na Bahia no setor cultural não é mostrado pelas empresas de comunicação. “No campo de políticas públicas (de cultura), eu acho que a gente deu um banho e isso está estrangulado justamente na comunicação”, afirmou o cineasta Pola Ribeiro, ex-diretor do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), fundação ligada à Secretaria Estadual de Comunicação Social, também presente ao debate. Pola citou um verso do samba Adalgisa de Dorival Caymmi que resumiu o sentimento de boa parte dos presentes: “Adalgisa mandou dizer / que a Bahia tá viva, ainda lá”.