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Diálogos Capitais

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Copa: "houve falha de comunicação", dizem secretários

por Samantha Maia — publicado 02/04/2014 09h28, última modificação 02/04/2014 09h43
Autoridades de BA, RN e PE participaram do seminário "O Futuro das Novas Arenas Multiuso no Nordeste", parceria da Trevisan Escola de Negócios com CartaCapital
Eduardo Freire
Demétrico Paulo Torres ( Foto- Eduardo Freire )  (3).JPG

Demétrio Torres, secretário estadual dos Esportes do Rio Grande do Norte

Os secretários estaduais para a Copa do Mundo do Nordeste avaliam terem falhado na comunicação à sociedade sobre os benefícios que os investimentos nas arenas trarão às cidades-sede, independente do torneio. A avaliação foi feita na terça-feira 1º durante o seminário O Futuro das Novas Arenas Multiuso no Nordeste, em parceria da Trevisan Escola de Negócios com a revista CartaCapital.

"Foi um erro nosso não ter capacidade de dizer que esse equipamento é um bom negócio para o município", disse Demétrio Torres, secretário do Rio Grande do Norte, sobre a Arena das Dunas. Segundo ele, a Copa será uma grande oportunidade para promover o turismo em Natal, carro chefe da economia local, e a arena multiuso se encaixa nos planos de tornar a cidade mais atrativa.

O mal entendimento da população sobre a necessidade de investimento público nas arenas foi outro erro de comunicação das administrações, segundo Gilberto Pimentel, secretário de Pernambuco. "Nunca falamos que não haveria dinheiro público." Segundo ele, a estratégia para Recife foi usar a arena para criar um novo eixo de desenvolvimento na cidade. "Colocamos em prática projetos engavetados há anos para a expansão urbana para a área oeste. Não é algo somente para a Copa."

Para o secretário da Bahia, Ney Campello, a escolha de cidades-sedes no Nordeste deve ser vista como uma forma de atenuar as diferenças regionais. "Não é apenas para revelar o nosso futebol, que é uma paixão, mas para ter uma estratégia de desenvolvimento regional." Segundo ele, a reconstrução da Fonte Nova está ligada à necessidade de revitalizar o centro histórico de Salvador e de fornecer à cidade um equipamento de qualidade para espetáculos. "Salvador não tinha um espaço onde pudesse promover grandes eventos. Hoje podemos fazer uma gravação de DVD da Ivete Sangalo, receber Elton John. A cidade está inserida no show business."

Os clubes de futebol do Nordeste já sentem o impacto das novas arenas no incremento do público em seus jogos. Há ressalvas, no entanto, sobre as regras dos contratos que devem assinar com os gestores dos locais. Segundo Gustavo Carvalho, presidente do América (RN), os dois anos em que o time teve que jogar a 70 quilômetros de Natal e, por conta das obras, o número de sócios caiu de 5 mil para 500. A inauguração da Arena das Dunas em janeiro deste ano, contudo, foi suficiente para recuperar os sócios perdidos e ganhar outros 1,5 mil. "Também creditamos à arena a reaproximação de patrocinadores do clube." Como resultado, ele cita o patrocínio acertado com a Caixa este ano, alo negado um ano atrás.

A América ressente-se, no entanto, de ter que dividir calendário com outros eventos. "Não temos outros estádio, e nos foi negada a possibilidade de jogarmos todos os jogos na arena porque existem outro eventos agendados", disse Carvalho. O dirigente afirma que o clube entende o momento inicial da operação, mas espera que exista uma fidelização maior da arena com o clube. "É a nossa soma que vai fazer a ampliação da receita."

Para Pablo Ramos, diretor do Bahia, os clubes ainda engatinham para entender o melhor modelo de relacionamento com os operadores dos estádios. O dirigente defende uma maior participação do time na busca de soluções para a Fonte Nova. "Achamos que é preciso dividir os riscos. Hoje o Bahia não tem que fazer nada para garantir a sua receita." O Vitória, também da Bahia, preferiu investir em seu próprio estádio a assinar com a Fonte Nova. "O Barradão não será padrão Fifa, mas atenderá o que o clube precisa", disse o presidente Carlos Falcão.