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Infraestrutura

"Chegou a hora de assumir riscos"

por Dimalice Nunes — publicado 24/02/2016 15h36
Diretor de portos da Cargill acredita que chegou o momento de se assumir riscos para que o Brasil não perca oportunidades de voltar a crescer
Eduardo Lopes / Imagem Paulista
O diretor de portos da Cargill Clythio van Buggenhout

'Não podemos abrir mão do combate pela segurança', afirmou o diretor de portos da Cargill, Clythio van Buggenhout, nos Diálogos Capitais

O diretor de portos da Cargill, Clythio van Buggenhout, afirmou hoje que chegou a hora dos setores público e privado assumirem riscos. "Não podemos abrir mão do combate pela segurança", afirmou o executivo ao fazer uma metáfora com o universo da navegação, onde se diz que o comandante primeiro checa a flutuação, depois a navegabilidade para então combater. "Nos preparamos muito para algo que já devia estar acontecendo. Poder combater é ter controle, ser protagonista e não passageiro." 

Buggenhout se refere principalmente ao crescimento da produção agrícola do País e às dificuldades, e altos custos, para escoamento da produção. Em dez anos a exportação física de grãos cresceu seis vezes, expansão que não foi acompanhada pela infraestrutura logística. 

"Os países que conseguiram modelar melhor suas concessões aproveitaram melhor momentos de expansão. Nos preparamos muito para algo que já deveria estar acontecendo", acredita o executivo, que participou hoje do Diálogos Capitais Setor Portuário: Oportunidades e Desafios, promovido por CartaCapital. 

Para que o Brasil possa "combater", o presidente executivo do grupo Libra, Marcelo Araújo, defende um fortalecimento das relações público-privada. "Não há país no mundo que tenha crescido que não tenha feito isso ao longo de sua história". 

Para ele, é urgente que se una de forma ainda mais contundente o melhor desses dois mundos: a criatividade e empreendedorismo do setor privados com o planejamento, bem-estar social e equidade de oportunidades do setor público. "Há uma demanda enorme por investimentos e temos que desenferrujar essas relações." 

Araújo defende ainda uma maior constância nos leilões de concessão do segmento logístico, em seus diversos modais. O ideal, segundo o executivo, é que novas rodadas acontecessem todos os anos para que não houvesse o represamento de projetos. "O sucesso dos últimos leilões portuários mostra que a escolha dos projetos têm sido cirúrgica e o investidor vê estabilidade regulatória", acredita. 

Já o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), entidade que reúne empresas que operam 70% de tudo o que passa pelos portos brasileiros, Wilen Manteli, é mais crítico. Na sua opinião, falta pragmatismo ao setor público para acelerar processos licitatórios e operacionais. 

"O governo deve fomentar a concorrência e fazer o que interessa para o País. A despeito das dificuldades, tem muito investidor querendo investir, mas eles querem também segurança jurídica e previsibilidade", concluiu.