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Campos vê ameaças do PMDB como fruto de alianças sem programa e crê em "surdez" do governo federal

por Rafael Nardini — publicado 18/03/2014 13h25, última modificação 06/06/2015 18h09
Durante o evento Fórum Brasil: Diálogos para o Futuro, o pré-candidato do PSB afirmou que a aliança com a Rede Sustentabilidade deve ser concretizada em abril
André Luy
Eduardo Campos

O pré-candidato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos, em evento de CartaCapital

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), vê as ameaças de debandada por parte de integrantes do PMDB da base aliada do governo Dilma Rousseff como uma consequência do processo de formação das alianças produzidas pelo Planalto. Segundo o provável candidato à Presidência, que participou nesta terça-feira 18 do evento "Fórum Brasil: Diálogos para o Futuro", de CartaCapital, em São Paulo, se as coligações não são formadas em torno de projetos e programas comuns, o debate acaba dirigido à distribuição de cargos.

“Quando a aliança não está calcada numa agenda que dialoga com as necessidades da população, aí o debate passa a ser esse: o cargo para fulano, o cargo para sicrano, se vai ser um deputado, se vai ser um senador...”, afirmou a jornalistas. De acordo com ele, o desvirtuamento do debate acaba por distanciar as pessoas do debate político. “É por isso que o Brasil, cada vez mais, se sente distante de Brasília. A sociedade mostrou isso em junho (do ano passado) nas ruas e vai mostrar isso nas urnas”.

O virtual candidato socialista ao Planalto criticou o que classifica como "surdez" por parte do governo federal nos últimos anos. Para ele, numa sociedade que deseja participação e que quer reavaliar seus direitos é vital que se abra o diálogo. “Essa constatação há algum tempo. Nós assistimos ao longo desses últimos anos o movimento social falar em pouco diálogo, o movimento sindical falar em pouco diálogo, os empresários falarem em pouco diálogo, prefeitos falarem em pouco diálogo, partidos políticos falarem em pouco diálogo... Então, não sou quem está falando”.

O namoro entre a Rede Sustentabilidade e PSB deve, afinal, receber o status de união estável. Segundo o pernambucano, a oficialização da coligação com o grupo da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva se aproxima. “É provável que no mês de abril a gente já vai viver uma outra fase: a composição da chapa”.

Na saída do evento em São Paulo, pouco antes de se postar frente aos jornalistas, Campos passou pelo rito de beija-mão de candidatos à Assembleia Legislativa de São Paulo e do staff local do PSB. Ele também foi parado para fotos por estudantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) que estavam presentes na plateia durante sua fala. De um deles ouviu: “O senhor representa nossa linha econômica”. Sorridente, pouco depois devolvia a gentileza. “Esses são os economistas do futuro, que vão comandar o Banco Central (BC)”.