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Diálogos Capitais

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Brasil precisará de 29 novos terminais portuários até 2020

por Redação — publicado 28/01/2014 20h28, última modificação 28/01/2014 20h47
Segundo o presidente da Associação de Usuários de Portos na Bahia, Marconi Andraos Oliveira, setor necessita de maior liderança e regulação adequada

A última mesa do evento Diálogos Capitais expôs as dificuldades enfrentadas pelas empresas que precisam utilizar portos no Nordeste. O debate, mediado pelo diretor da Envolverde, Dal Marcondes, contou com a participação do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) Pedro Brito, do diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Aluisio de Souza Sobreira, do Secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia e por Marconi Andraos Oliveira, presidente da Associação de Usuários de Portos na Bahia.

Marconi mostrou que o Brasil é o 33º país no mundo em volume de navegação, apesar das altas pretensões comerciais que possui. Segundo ele, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) realiza uma regulação que não interessa aos donos de carga. Além disso, levantou outras queixas dos usuários, entre elas mais liberdade e oferta de terminais, para garantir competitividade nos preços, ambiente de conhecimento, dados disponibilizados, pesquisas nessas área e especialização. "Precisamos de 29 novos terminais no Brasil até 2020. A Bahia, em 25 anos, construiu apenas um. Algum planejamento já existe, mas existem muitas discussões que precisam de liderança, de gente que organize e ordene", observou.

O ministro Pedro Brito destacou exemplos internacionais nos quais o maior investimento em portos influencia positivamente a balança dos países. “A Alemanha exporta chá mesmo sem produzir chá. Esse é o foco do nosso debate. A infraestutura portuária é importante para o desenvolvimento regional. A China não tinha nenhum porto entre os dez maiores do mundo, hoje, entre eles, sete são chineses, isso em um intervalo de dez anos.”

Brito acrescentou exemplos internos para ilustrar a importância do investimento portuário. “O secretário James Correia diz que a Bahia foca atualmente na construção de um novo porto. Sem isso, é impossível dar à região o crescimento que se almeja. Em Pernambuco temos o exemplo do porto de Suape, planejado há 30 anos e que hoje e um dos portos de cargas mais importantes. Eu digo isso para mostrar com exemplos práticos a pertinência da participação e do planejamento.”

Também discutiu-se o modelo público-privado, que, segundo o ministro, ajudou a alavancar a criação de portos no Brasil. “Trata-se de um modelo utilizado no mundo inteiro, exceto na Inglaterra, onde todos são privados. No caso do Brasil, ampliou-se a presença com a criação dos terminais privados, que podem acontecer fora dos portos públicos. Hoje o Brasil tem 129 portos privados. Vamos ampliar.”

Diálogos Capitais. Fortaleza recebe a primeira edição de 2014 da série Diálogos Capitais, promovido pela revista CartaCapital em parceria com o Instituto Envolverde, para aprofundar a discussão sobre o desenvolvimento brasileiro. Portos - Infraestrutura e Logística para o Desenvolvimento do Nordeste é o tema deste debate que reúne autoridades da região e especialistas do setor.