Você está aqui: Página Inicial / Diálogos Capitais / Beluzzo: “Política monetária dos EUA afeta os emergentes”

Diálogos Capitais

Fórum Brasil

Beluzzo: “Política monetária dos EUA afeta os emergentes”

por Envolverde — publicado 19/03/2014 12h21, última modificação 06/06/2015 18h09
Na abertura do segundo dia do “Fórum Brasil: Diálogos para o Futuro”, o economista disse que haverá uma recuperação gradual e desequilibrada da economia mundial
André Luy
Belluzzo

Belluzzo abre o segundo dia do Fórum Brasil

O economista e consultor editorial da CartaCapital, Luiz Gonzaga Belluzzo, abriu o segundo e último dia do “Fórum Brasil: Diálogos para o Futuro” na manhã desta quarta-feira (19). Belluzzo iniciou sua exposição mostrando como as taxas de crescimento na zona do euro e nos Estados Unidos vêm sistematicamente caindo nos últimos 50 anos. Ele disse que discorda do Nobel de Economia Paul Krugman quando este afirmou que a política monetária americana não afeta os países emergentes.

O economista, que já fez parte da equipe do Ministério da Fazenda do Governo Sarney, teceu considerações sobre os investimentos dos EUA no exterior e o papel da China nesta relação. Segundo ele, as vantagens relativas do país asiático estão concentradas na indústria, ao contrário dos Estados Unidos, onde isso não acontece mais. Já o do Brasil, diferentemente dos dois, se caracteriza por exportação de commodities. “Se queremos nos reinserir na economia internacional, temos de prestar atenção nas questões microeconômicas. Fazer com que o agronegócio impulsione a indústria brasileira”.

O outro lado da concentração produtiva, afirmou, reflete a queda da participação dos salários na renda de americanos e europeus. Para o economista, o PIB nestas regiões cresceu em função do endividamento das famílias e isso resultou ao aumento da desigualdade na distribuição de renda.

Beluzzo comentou também a transformação da dívida privada em pública, após o processo de salvamento das instituições financeiras nos EUA e na zona do euro. Ele crê que haverá uma recuperação gradual e desequilibrada da economia mundial. Para o economista, o Brasil não fez feio após a crise de 2008 em comparação a grande parte das economias pelo mundo. Observou ainda que o país tem o terceiro maior volume de reservas do planeta, atrás apenas de China e Rússia.

O economista afirmou que a inflação está controlada e que existe rigidez para queda maior mais por conta de resquícios da indexação. “Isso leva tempo para se livrar. E a eficácia da política monetária é menor.”

Márcia Pinheiro, da Envolverde, especial para CartaCapital