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Uma questão de brilho

por Ana Ferraz publicado 06/09/2012 11h50, última modificação 06/09/2012 11h50
Após longa crise, a 30ª Bienal de São Paulo quer a inteligência no lugar do espetáculo
Girl in Circus Caravan

Sutil ambiguidade. Garota na Caravana do Circo (1926), uma das 649 imagens expostas do alemão August Sander, mestre em registrar tipos humanos

O risco de não se realizar foi o grande pesadelo enfrentado pela Fundação Bienal neste ano, resultado de um imbróglio financeiro que envolveu 13 convênios firmados entre 1999 e 2006, cuja lisura foi colocada em dúvida pela Controladoria-Geral da União. O montante de dinheiro cuja aplicação não teria sido devidamente esclarecida foi de 32 milhões de reais. Oito meses antes da abertura da 30ª Bienal, singularmente intitulada A Iminência das Poéticas, a Fundação foi considerada inadimplente e suas contas, bloqueadas. Em março, uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal de São Paulo restituiu a verba à instituição.
“A incerteza faz parte da Bienal. Não paramos de trabalhar em nenhum momento e nenhum artista pôs em dúvida a mostra”, declarou, em abril, o curador Luis Pérez-Oramas. Do orçamento previsto, de 22,4 milhões de reais, há cinco meses havia 4 milhões ainda a captar. À véspera do início do evento, Oramas, aliviado, recorreu a uma metáfora marítima para descrever a calmaria havia tanto almejada: “Atravessamos águas turbulentas e soubemos chegar ao porto”.
Fato inédito, a 30ª edição da Bienal alonga-se até 9 de dezembro no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com todo o orçamento assegurado. “Concluímos a captação de recursos”, anunciou o diretor-presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins. Por meio da Lei Rouanet veio 65% da verba. A prefeitura de São Paulo bancou 9% e o governo estadual, 7%. Outros 2% foram captados por meio de serviços e 17% tiveram origem privada. No total, houve 50 fontes de recursos.
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