Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / Um pouco mais de oxigênio

Destaques CartaCapital

Newsletter

Um pouco mais de oxigênio

por Redação Carta Capital — publicado 05/04/2012 11h50, última modificação 05/04/2012 11h50
O governo amplia as políticas de proteção à indústria e mistura medidas conjunturais e planos de longo prazo
Dilma

Na mira. Dilma, com Mantega, na apresentação. A presidente reclama agora do spread bancário. Foto: Wilson Dias/ABr

Por Luiz Antonio Cintra e Samantha Maia

Na manhã da terça-feira 3, o jurômetro online da Fiesp cruzava celeremente a marca dos 59,4 bilhões de reais gastos com a dívida pública desde o início do ano. O dólar flutuava a 1,82. E, em Brasília, Dilma -Rousseff se aprumava para começar seu discurso no salão nobre do Palácio do Planalto, com a mira ajustada na “competição predatória” em curso no planeta. Ao lançar um pacote de desonerações e incentivos fiscais de 60,4 bilhões de reais, o governo buscou deixar clara sua disposição de dar um choque de competitividade na indústria nacional, acuada pelos importados, voracidade da qual não escaparam nem os ovos de Páscoa. A dúvida é se o pacote basta.

A cerimônia que anunciou o mais parrudo conjunto de medidas para reaquecer o setor industrial, estagnado desde mea-dos de 2010 e com queda no emprego a partir de outubro passado, foi aguardada com ansiedade. E mobilizou mais de 400 empresários, sindicalistas e parlamentares da base governista. Também pudera: em ano de eleições municipais, até o ex-presidente do BC Henrique Meirelles e seu recém-fundado PSD abraçaram, ao menos na retórica, a defesa da indústria nacional. Assim como o oposicionista PPS, que tem convocado economistas heterodoxos para discutir soluções para o setor, preenchendo o evidente vácuo de discurso da oposição no debate econômico no Congresso.

Com o pacote, o governo quis sair das cordas e criar condições para contrapor-se ao mau humor de sindicalistas e industriais, atiçado pelo crescimento meramente estatístico de 0,3% do ano passado. Nos últimos meses, as duas faces do capitalismo nacional uniram forças para exigir atenção à competitividade perdida para a indústria asiática, particularmente a chinesa, a única a seguir em alta nos últimos anos.

*Leia matéria completa na Edição 692 de CartaCapital, já nas bancas