Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / Um mundo bipolar

Destaques CartaCapital

Newsletter

Um mundo bipolar

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 16/11/2012 09h00, última modificação 16/11/2012 09h00
Duas potências em época de crise interna e rivalidade externa
EUA

s

Muito se fala de um futuro multipolar, mas com a União Europeia neutralizada por suas disfunções políticas e financeiras e o Brasil, a Índia e a Rússia ainda longe de serem (ou voltarem a ser) potências globais, o presente e o futuro imediato pertencem de fato a dois polos. Um é Washington, em decadência relativa, mas ainda no controle da maior economia, do maior poder militar e das finanças internacionais. O outro é Pequim, em franca ascensão, possivelmente o maior PIB a partir de 2016 e desde já a maior produtora de manufaturados, maior produtora e consumidora de energia e líder em vários outros indicadores de força bruta produtiva, inclusive aço, cimento, estanho, trigo e arroz.

Coincidentemente, em novembro de 2012 ambas as potências definiram suas lideranças para os próximos anos. Em um amargo processo eleitoral, os EUA reelegeram Barack Obama por quatro anos e mantiveram o controle republicano da Câmara e o democrata do Senado. Depois de expurgar Bo Xilai e isolar seus neomaoístas, a China, ou melhor, seu Partido Comunista, conseguiu certo consenso ao escolher Xi Jinping para governar o país pelos próximos cinco anos – dez, na prática, visto ser a reeleição quase certa – e em tese manter a linha reformista moderada da década de Hu Jintao, apoiada pela maioria do partido.

Nos dois casos, a aparência é de continuidade, mas tanto os EUA quanto a China passam por fases críticas. O sistema político de Washington necessita reacomodar-se externamente a um mundo no qual diminuiu sua importância relativa e rever seus processos internos, ameaçados de paralisação pela incapacidade de suas forças conservadoras e liberais de negociar um projeto comum de médio prazo. Pequim, apesar do sucesso aparente em reprimir e controlar dissidências, precisa enfrentar desafios internos inéditos decorrentes do próprio crescimento e, ao mesmo tempo, abrir caminho no cenário internacional para acomodar suas pretensões crescentes com perigosas cotoveladas nas velhas potências.

*Leia matéria completa na Edição 724 de CartaCapital, já nas bancas