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Um gigante acanhado

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 04/01/2013 12h34, última modificação 04/01/2013 12h34
Se há uma deficiência no Itamaraty da era Dilma é o excesso de discrição. 
O País cresceu demais para tentar manter um perfil baixo
BRICs

Foto: B Mathur/Reuters

 
Por mais que alguns analistas insistam desde os primeiros dias em pro-curar com lupa diferenças profundas ou mesmo antagonismos entre Dilma Rousseff e Lula, a política externa continuou substancialmente a mesma, com os mesmos objetivos. O BRICS e o G-20 dos emergentes continuam a ser o fulcro de suas articulações mundiais. Não mudou a posição do Brasil em relação ao Oriente Médio e à questão palestina, como mostraram os discursos na Assembleia Geral da ONU.
A política para a América Latina segue a mesma linha de boa vizinhança combinada com articulação com os governos progressistas do continente, combinando a defesa da democracia com a da não intervenção. Qualquer dúvida a respeito foi dissipada pela reação ao golpe institucional no Paraguai, que isolou diplomaticamente o governo de Federico Franco na América Latina e, de quebra, serviu para integrar a Venezuela ao Mercosul, passo que há muito era bloqueado pelo Senado conservador de Assunção, mas sem impor as duras sanções comerciais pretendidas pelos governos bolivarianos, que abririam precedentes capazes de justificar embargos criticados pelo Brasil, como os que os Estados Unidos impõem a Cuba e ao Irã.
Há, porém, mudanças de estilo e ênfase. De um lado, a diplomacia tem sido mais discreta e menos marcada por atos simbólicos ambiciosos. Por outro, as questões monetárias, econômicas e financeiras ganharam maior peso, tanto pela formação da presidenta quanto pela necessidade de enfrentar um cenário internacional mais turbulento.
Uma dificuldade em potencial é a tendência à divisão da América Latina em dois blocos econômicos, a “Aliança do Pacífico” e um Mercosul ampliado. Em artigo de novembro, o politólogo uruguaio Raúl Zibechi chamou a atenção para a importância desse conflito em potencial.
*Leia matéria completa na Edição 730 de CartaCapital, já nas bancas

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