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Tempestade à vista

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 18/05/2012 11h25, última modificação 18/05/2012 11h25
França e Alemanha custam a se entender, enquanto a crise se acelera na Grécia e na Espanha
Merkel

Tormenta. Chuva, relâmpago e diferenças com Merkel no primeiro dia do governo Hollande. Foto: Odd Andersen/AFP

Foi bonita a festa da posse de François Hollande em 15 de maio, apesar da chuva que o obrigou a trocar duas vezes de terno enquanto insistia em usar carro aberto e cumprimentar os cidadãos. Como se fosse preciso outro aviso das tempestades que o aguardam, um raio atingiu o avião que o levava a Berlim e o forçou a retornar a Paris para trocar de aeronave, atrasando em mais de uma hora o primeiro encontro com Angela Merkel.

Quase ao mesmo tempo, o porta-voz do presidente grego Karolus Papoulias anunciou o fracasso das negociações para formar um novo governo e a necessidade de convocar novas eleições, marcadas no dia seguinte para 17 de junho, a mesma data do segundo turno das eleições parlamentares francesas. O governo interino será liderado pelo juiz (sem partido) Panagiotis Pikrammenos, ex-presidente do Conselho de Estado, órgão que assessora juridicamente o governo e funciona como Tribunal Supremo administrativo.

Nas eleições de 6 de maio, a Nova Democracia (conservador) e o Pasok (social-democrata) somaram 149 votos, dois a menos que a maioria. Em tese, bastariam os 19 deputados do Esquerda Democrática, o menor e mais moderado dos partidos contra a Troika no Parlamento, para articular um governo. Mas este se recusou a aceitar tanto as coalizões tradicionais propostas pelos líderes dos partidos pró-acordo quanto o governo “tecnocrático” de notáveis sugerido pelo presidente Papoulias se o Syriza (Esquerda Radical), do qual é uma dissidência, também não participasse. Seria um suicídio político, pois esse governo sem projeto viável ou apoio popular certamente fracassaria, o que seria mais uma catástrofe para os sócios maiores e a aniquilação para um partido pequeno e sem tradição.

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