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Sob nova ditadura

por Gianni Carta publicado 30/11/2012 11h06, última modificação 30/11/2012 11h06
Os manifestantes voltam à Praça Tahrir, agora para protestar contra Mohamed Morsi, o substituto do ditador Mubarak que imita o deposto
Egito

Com o risco de uma guerra civil, o mais populoso país árabe enfrenta um regime de exceção islamita. Foto: Ed Giles/ Getty Images

Namees Arnous está furiosa. Ela fala em uma nova revolução no Egito, após a que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em janeiro de 2011. Desta vez, o objetivo dos manifestantes da simbólica Praça Tahrir (e país afora) é derrubar Mohamed Morsi, o presidente que em 22 de novembro promulgou um decreto pelo qual confere a si direitos plenos. “Depusemos um ditador laico, e colocamos no posto um déspota islamita da Irmandade Muçulmana”, resume Arnous, diretora-executiva da Bokranews.com, estação de rádio e notícias online.

O quadro político do país mais populoso do mundo árabe é mais uma vez crítico. Mohamed el-Baradei, o ex-presidente da Agência Internacional de Energia Atômica, Nobel da Paz e coordenador da Frente de Salvação Nacional (formada pelos partidos contrários ao decreto de Morsi, que por ironia do destino foi capaz de unir as esquerdas), não descarta uma guerra civil. El-Baradei parece ter razão. Proliferam manifestações e atos de violência contra o líder egípcio eleito em junho, o quinto mandatário do país e o primeiro islamita.
Na terça-feira 27, 100 mil pessoas tomaram as ruas da capital, Cairo, para protestar contra os poderes expandidos de Morsi, um engenheiro de 61 anos. Um dos alvos prediletos dos manifestantes são as representações da Irmandade Muçulmana e de sua artéria política, o Partido Liberdade e Justiça. Na capital, as Forças Armadas puderam defender a sede da legenda islamita. Em cidades como Alexandria, os escritórios do grupo religioso foram, porém, saqueados. Outra sede da agremiação islamita foi incendiada. Centenas de pessoas foram feridas nos confrontos com a polícia, e na última semana houve quatro mortes. Uma das vítimas, Fathi Gharib, da Aliança Popular Socialista, faleceu ao inalar gás lacrimogêneo lançado pelas forças de repressão.
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