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Sem intermediários

por Redação Carta Capital — publicado 11/05/2012 13h12, última modificação 11/05/2012 13h12
Para concorrer com os importados e atenuar as distorções internas da economia, marcas famosas optam cada vez mais por abrir lojas próprias
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Experiência. Decker, da japonesa Asics, abriu as portas na Oscar Freire. Foto: Olga Vlahou

Por Lilian Primi

Câmbio desfavorável, impostos em excesso, a empolgação com o Brasil. A indústria nacional tenta se defender como pode de uma batalha desigual com a concorrência estrangeira. Até se arriscar no varejo. A criação de redes próprias de distribuição, em substituição aos antigos varejões ou lojas multimarcas especializadas, se espalha como rastilho de pólvora por vários segmentos: do parque têxtil, onde começou, ao calçadista, de alimentos, de utilidades domésticas e de combustíveis. Segundo economistas e consultores do setor, no novo cenário, quem não tem diferencial tende a desaparecer. “Nos próximos dez anos todo o setor de bens de consumo durável terá aderido ao varejo”, prevê o economista Evaldo Alves, professor da FGV Management de São Paulo.

Uma das primeiras a adotar a estratégia foi a Cia. Hering, centenária fabricante catarinense de moda básica. Há pouco mais de oito anos, a indústria decidiu reforçar sua marca para sair de uma dívida de quase 18 milhões de reais. Investiu na rede de lojas, pequena e incipiente na época. Em 2005, o relatório anual da empresa apontava um lucro de 30,9 milhões de reais. De 2007 em diante, o crescimento anual passou a ser de dois dígitos. A empresa encerrou 2011 com uma rede de 432 lojas da Hering Store, mais 80 das marcas secundárias (PUC e Kids), que lhe renderam uma receita bruta de 1,6 bilhão de reais, 33,4% acima da registrada em 2010, e um lucro líquido de quase 300 milhões.

moda O sucesso da Hering inspira os movimentos da Coteminas, que decidiu fazer o mesmo para se levantar do tombo provocado pela frustração do projeto Springs: com a queda no consumo nos Estados Unidos e Europa em 2009, a operação de fusão com a gigante marca norte-americana de cama, mesa e banho resultou em prejuízos crescentes. Em 2011, foi de 105 milhões de reais. Para sair dele, além da venda de parte dos ativos da Springs e da reestruturação do parque fabril brasileiro, a Coteminas aposta na implantação de uma rede da Artex, a marca popular de roupas de cama, mesa e banho do grupo, “oferecendo aos consumidores experiência de compra que valoriza o produto”, segundo exposto em seu relatório anual. As novas lojas se unem à MMartan, marca voltada para a classe A que somava 204 estabelecimentos no ano passado.

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