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Roteiro vip

por Willian Vieira — publicado 11/01/2013 12h39, última modificação 11/01/2013 12h39
O Nordeste brasileiro, apesar da crescente repressão do poder público, continua um dos principais destinos de quem procura sexo fácil e com menores
Prostituição Infantil Fortaleza

Foto: Drawlio Joca

De Fortaleza 

A primeira vez foi com um italiano”, diz M. Ela tinha 13 anos e o conheceu bem ali, em frente ao número 171 da Rua dos Potiguaras, em uma esquina a poucos metros de onde hoje aguarda por clientes, no circuito de bares para estrangeiros da Praia de Iracema, em Fortaleza. “Ele passou três dias comigo num flat. Queria companhia. Foi é bom demais. Ele me deu roupas, me levou pra jantar, até convidou pra ir com ele para a Itália. Mas aí sumiu.” E ele pagou por isso? “Até demais da conta.”

Com seu 1,55 metro de altura e 45 quilos, a menina com corpo de criança sorri. M. recém-matriculou-se no primeiro ano do ensino médio em uma escola pública do Conjunto Esperança, na periferia onde vive com o avô. Mas às 11 da noite de uma terça-feira de janeiro, em pleno auge do movimento turístico da capital, passeia pelos bares com a destreza de quem o faz há três anos. Tem 16. A microssaia jeans e a blusa florida cobrem poucos palmos do corpo moreno. O piercing na boca brilha à luz dos postes no caminho dos turistas: e eles chegam em bandos, contornando a orla até o burburinho dos bares e boates onde prostitutas de todas as idades se apinham à espera, inclusive menores como ela.

 

 

A cena não é exclusividade de Fortaleza e já foi pior. Mas o turismo sexual em sua faceta mais tenebrosa, a que mira crianças e adolescentes, ainda tem suas cores destacadas em cidades onde existe a confluência entre desigualdade, pobreza e turismo massivo voltado para estrangeiros. Caso do Rio de Janeiro, Salvador e outras capitais do Nordeste, com suas praias de areias brancas, água quente e mulheres e adolescentes pobres e habitua­das ao costume da venda de sexo.

É nesse cenário que tais cidades se defrontarão com um novo problema. Com a Copa das Confederações neste ano e a Copa do Mundo no próximo, 600 mil turistas, a maioria homens com dinheiro em busca de diversão, desembarcarão no Brasil. “Se não forem tomadas as devidas providências, vai ser escandaloso, vão aumentar os casos de prostituição infantil e a imagem do Brasil vai continuar sendo essa lá fora”, afirma Eliana Gomes, ex-vereadora do PCdoB que relatou à CPI da exploração sexual infantil na cidade há pouco mais de um ano. “São meninas pobres, negras, de famílias vulneráveis, que acabam encontrando essas figuras cretinas.” Segundo a investigação, existe um fio invisível que liga a prostituição mais pobre nas regiões da Barra do Ceará, onde casas de “tias” funcionam à luz do dia e meninas são aliciadas por até 10 reais, e o circuito das praias ricas como Iracema e Futuro.

*Leia matéria completa na Edição 731 de CartaCapital, já nas bancas

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