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Rebeldes, jamais

por Francisco Quinteiro Pires — publicado 05/04/2012 11h47, última modificação 05/04/2012 11h47
Novos descolados da América, os hipsters são jovens vendedores que se inspiram em Steve Jobs
Hipster

Geração comercial. Na Nova York real ou em Prtlandia, o hipster se inclina à "sociologia humorística". Foto: Mila Burns/ Gumbo Media

Representantes da cultura jovem norte-americana, os hipsters já viveram dias mais fáceis. Ensaístas, acadêmicos e comediantes dos Estados Unidos debruçam-se cada vez mais sobre o seu comportamento. Não existe rebeldia na sua atitude, dizem os críticos. Há apenas o desejo de sucesso financeiro. “Parece óbvio que os hipsters são contrários a tudo o que representa o status quo”, diz o escritor William Deresiewicz a CartaCapital. “Mas eles não são contraculturais como foram os movimentos precedentes da juventude.” A oposição ao mainstream (a corrente dominante de pensamento) sempre foi, segundo ele, essencial para a definição da cultura jovem nos EUA.

Autor de Aprendi com Jane Austen (Editora Rocco), Deresiewicz escreveu recentemente um ensaio em que cunhou a expressão “geração comercial”. Para ele, os jovens mais descolados são agradáveis, moderados e educados porque têm os afetos de um vendedor. A sua alma é mercantil. Não por acaso, o herói cultural não é mais o artista, o santo, o reformador ou o cientista. É o empreendedor, a provar a exaltação em torno de Steve Jobs, fundador da Apple, morto em outubro de 2011. Como corroboram um sistema voltado para os lucros, os hipsters perduram. Por isso estão aí há quase 20 anos, segundo Deresiewicz.

Inventado nas primeiras décadas do século XX, o termo era uma gíria para designar os apreciadores de jazz. Mais precisamente, o gosto de uma minoria por uma arte nascente. A partir daí, a palavra foi empregada, num sentido mais geral, como sinônimo de rebeldia contra os valores estabelecidos. Deresiewicz admite ser complicado chegar hoje a uma definição exata. Segundo diferentes dicionários, hipster pode nomear tanto “aqueles que estão atentos às últimas tendências” quanto “os que comem cereal com leite e bebem cerveja barata”. Seu vestuário exibe, porém, um padrão: calças jeans skinny (bem justas), óculos de armação grossa, toucas de lã (usadas com as orelhas à mostra), camisetas com gola V e de aspecto velho ou camisas quadriculadas (de preferência compradas em brechós).

*Leia matéria completa na Edição 692 de CartaCapital, já nas bancas

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