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Rajoy e as duas crises

por Gianni Carta publicado 07/02/2013 14h05, última modificação 07/02/2013 14h05
Os indicadores econômicos assustam, mas a questão moral piora notavelmente a situação

Os indicadores econômicos não mentem: a Espanha vai mal. No quarto trimestre de 2012 a economia sofreu uma contração de 1,8% em relação ao mesmo período no ano anterior. Um rigoroso programa de austeridade tenta combater a falta de competitividade, a turbulência no setor de bancos e as dívidas domésticas e empresariais. A taxa de desemprego de 26% – e atinge 46% entre aqueles com menos de 35 anos – é a mais elevada desde 1975, quando acabou a ditadura franquista.

No entanto, as raízes da crise, que parecia ser apenas econômica, são muito mais profundas. Na verdade, em sintonia com outros países europeus e mundo afora, trata-se de uma crise moral. No dia 31 veio à tona a séria suspeita de corrupção nos altos escalões governistas, e até o premier direitista Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), estaria implicado, segundo documentos publicados pelo diário de centro-esquerda El País. Eleito faz um ano, Rajoy, de 57 anos, repete: “É falsa a acusação. Jamais, repito, jamais, recebi ou distribuí dinheiro irregular, nem neste partido nem em outro lugar”. E acrescentou que postaria detalhes de sua conta pessoal no site do governo.

Por sua vez, Alfredo Pérez Rubalcaba, o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), pediu a demissão do premier no domingo 3. Incentivo para exigir a renúncia do primeiro-ministro não faltou ao líder do PSOE. No dia anterior, manifestações varreram todas as grandes cidades do país. Uma petição contra o premier na internet contava com milhares de signatários. Diante da sede do PP em Madri, Rubalcaba disse que Rajoy “é um fardo” para o país. “Ele (Rajoy) acrescentou à crise uma crise moral pública.”

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