Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / Quiproquó no Prata

Destaques CartaCapital

Newsletter

Quiproquó no Prata

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 06/07/2012 12h17, última modificação 06/07/2012 12h17
A admissão da Venezuela gera reações 
da mídia e de políticos ao mudar a geopolítica da região

Nas primeiras horas de poder no Paraguai, o recém-empossado Federico Franco posou com o bastão de comando na mão e o sorriso de uma criança que ganhou um brinquedo novo, assim como toda a corte civil e clerical. As fotos dos dias seguintes mostram, porém, cada vez mais caras amarradas ou preocupadas. Parecem não ter medido as consequências de seus atos e foram surpreendidos pela unânime reação negativa dos governos latino-americanos.
Habituados a manipular cartórios e títulos, os golpistas pareciam crer que a esperteza no uso da letra da lei bastava para legitimar um golpe de Estado. A chicana estendeu-se à tentativa de anular a reunião de emergência da Unasul com o argumento de que só a presidência da organização – que, casualmente, era de Fernando Lugo – poderia convocá-la. Mas até governos conservadores como os do Chile e Colômbia ignoraram Franco. Não aplicaram o bloqueio de fronteiras proposto pelo equatoriano Rafael Correa, mas o suspenderam da organização e transferiram a presidência ao peruano Ollanta Humala.
A suspensão doMercosul era a mais previsível das sanções, mas até esta foi recebida com incredulidade. Os golpistas exigiram em vão o direito de “ampla defesa” que negaram ao deposto Lugo. Conforme decidiram os presidentes do Brasil, Argentina e Uruguai a suspensão será válida até “o pleno restabelecimento da ordem democrática”, ou seja, até a posse de um governo legitimamente eleito, a princípio em 15 de agosto de 2013. Como uma suspensão que impedisse os demais de tomar decisões os puniria mais do que ao integrante suspenso, resolveu-se que o Paraguai, embora continue a gozar das facilidades comerciais do bloco e a receber os investimentos do Focem (Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul, pelo qual os membros mais fortes doam recursos para a infraestrutura dos mais frágeis), terá de aceitar as decisões tomadas pela organização em sua ausência.
*Leia matéria completa na Edição 705 de CartaCapital, já nas bancas

registrado em: