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Perillo e Cachoeira

por Leandro Fortes — publicado 05/04/2012 11h48, última modificação 05/04/2012 11h48
O governo de Goiás contratou uma empresa acusada de servir ao esquema do bicheiro
Marconi Perillo

No calcanhar. Demóstenes Torres deixou o DEM. Eliane Pinheiro pediu demissão do posto de chefe de gabinete do governador Marconi Perillo (acima). Foto: Marcelo Ferreira/D. A Press

Por volta do meio-dia da terça-feira 3, o senador Demóstenes Torres, que se autodefiniu como um cadáver político, deu um passo na tentativa de cair no esquecimento tumular: após se recusar na noite anterior a fornecer explicações ao próprio partido sobre a natureza e a profundidade de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, apresentou um ofício de desfiliação do DEM. Torres reclamou da postura de seus companheiros de legenda. Afirmou ter sido prejulgado e impedido de apresentar sua defesa, no que foi prontamente rebatido por Agripino Maia, presidente do Democratas: “Ele teve várias oportunidades e não o fez”.

Torres agiu calculadamente. Ao deixar o DEM, o senador goiano espera ver enterrada a avalanche de denúncias de participação ativa e crucial em uma máfia que manipulava jogos ilegais, interferia em órgãos públicos e produzia grampos e dossiês distribuídos à mídia, e em especial à revista Veja, contra desafetos políticos. Segundo a investigação da PF revelada com exclusividade por CartaCapital, o senador receberia 30% do faturamento com o jogo ilegal.

O parlamentar não é o único que torce pelo esboroar de mais este escândalo, embora a tendência no momento seja que o assunto ganhe cada vez mais relevância. Nos últimos dias cresceram as chances de instalação da “CPI do Cachoeira” na Câmara dos Deputados. O DEM passou a engrossar o coro dos adeptos da CPI por um bom motivo: não quer naufragar sozinho, pois a quadrilha envolve representantes de outros partidos.

*Leia matéria completa na Edição 692 de CartaCapital, já nas bancas