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Para ler Michael Jackson

por Francisco Quinteiro Pires — publicado 15/02/2013 10h56, última modificação 15/02/2013 10h56
Biografia contestada do astro pop analisa a origem aberrante da indústria de entretenimento dos Estados Unidos

De Nova York

Quando publicou Untouchable, The Strange Life and Tragic Death of Michael Jackson, promovida como “a história definitiva” do astro norte-americano, o jornalista Randall Sullivan expôs sua crença em relação à vida sexual do rei do pop. Para Sullivan, ele teria morrido virgem, “em um estado especial de solidão grandemente responsável por torná-lo um artista singular e um ser humano muito infeliz”. O biógrafo escreveu que o nariz de Jackson se parecia com “um par de narinas cercadas por um aro de cartilagem murcha, enrugada e desbotada”. Foi o suficiente para que os fãs clamassem o boicote à biografia nas redes sociais. Temporariamente, a Amazon suspendeu a venda de Untouchable (Grove Press, 776 págs., US$ 35), a ser publicado pela Companhia das Letras neste ano. O livro de Sullivan, colaborador da revista Rolling Stone, foi cotado com uma de cinco estrelas possíveis (a nota mais baixa). Para a mídia norte-americana, o volume seria “prolixo”, “dispensável”.

Morto em junho de 2009, aos 50 anos, -Jackson ainda provoca reações emocionais extremas. “Uma das figuras mais enigmáticas dos últimos tempos”, de acordo com a crítica cultural Margo Jefferson, ele conseguiu com seu trabalho revolucionário e comportamento excêntrico dar combustível para admiradores e detratores. Em Para Entender Michael Jackson (Rocco, 124 págs., R$ 28), Jefferson diz que, desde meados dos 1980, quando o cantor atingiu o ápice, todos observaram mais seus hábitos aberrantes do que suas realizações artísticas.

“Não dá para escapar da aura de excentricidade e da história do garoto extremamente talentoso, amado por todos, que se transformou em uma figura ambígua, meio criança, meio homem, da qual muitos têm medo, raiva, nojo”, diz Jefferson, ganhadora do Prêmio Pulitzer. Jackson, ela afirma, “desorientava as pessoas de diversas maneiras: com sua raça, androginia, sexualidade, roupas, cirurgias plásticas, gastos compulsivos, sua paternidade. Não se parecia com nenhum outro ser vivo sobre a face da Terra”.

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