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Paixão pelo movimento

por Ana Ferraz publicado 24/08/2012 12h11, última modificação 24/08/2012 12h11
Gene Kelly, que completaria cem anos, tinha a força de um atleta e a liberdade de um menino
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Foto: Reprodução do livro Hollywood Musicals

Nos anos 1950, um ator e dançarino norte-americano conseguiu o que parecia impossível, tornar-se um ídolo para os franceses. Recebida de forma calorosa, a película que seduziu o público amealhou seis Oscars e, façanha suprema, levou a estatueta de melhor filme, feito que não ocorria com um musical havia 15 anos. Um Americano em Paris (1951) é o ponto alto da carreira artística de Gene Kelly, embora nada supere Cantando na Chuva (1952) em popularidade. Em qualquer dos exemplos, o que se vê na tela é um bailarino atlético com agilidade de felino. Um artista cujos pés transformavam o comum em extraordinário, o coreógrafo que fez do mundo seu playground e brilhou com genuína alegria ao lado de seus camaradas. Em suas roupas comuns, também era um deles.
Para Kelly, cujo centenário de nascimento foi celebrado quinta 23, dançar sempre foi um negócio de homens, uma paixão pelo movimento que veio da infância. “Quando garoto, eu amava correr e pular, me mover em direção ao ar e contra o chão. Não se pode dançar sem esse amor”, declarou, em frase reproduzida por Tony Thomas no livro That’s Dancing! Em 1958, Kelly produziu um especial para a tevê norte-americana intitulado Dancing – A Man’s Game. “Infelizmente as pessoas confundem graça com fraqueza. John Wayne era um homem gracioso, elegante, assim como muitos jogadores de bola. O passe de um atleta de futebol americano pode ser tão belo quanto um movimento de balé, assim como uma jogada benfeita de basquete tem um sentimento coreográfico. Boxeadores, de James J. Corbett a Sugar Ray Robinson, usam a dança como parte de sua arte e não correm risco de serem chamados de afeminados.”

Quando a mãe de Kelly colocou-o numa escola de dança do bairro em Pittsburgh, Pensilvânia, ao lado de seus quatro irmãos, ele não gostou nada. Preferia jogar hóquei no gelo com o pai ou desafiar a lei da gravidade e pôr à prova sua ossatura ao saltar muros. Na saída das aulas, enfrentava aos socos garotos que zombavam dos meninos metidos em malhas. Foi só depois dos 15 anos que seu interesse pela dança se tornou real, ao perceber que as garotas gostavam mais de rapazes que sabiam conduzi-las com segurança nos bailes.

*Leia matéria completa na Edição 712 de CartaCapital, já nas bancas

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