Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / Os neogolpistas

Destaques CartaCapital

Newsletter

Os neogolpistas

por Cynara Menezes — publicado 29/06/2012 11h52, última modificação 29/06/2012 11h52
Aumentam os indícios de que o impeachment de Fernando Lugo, votado no Congresso em tempo recorde, foi o último ato de uma grande armação

Nas ruas de Assunção quase não se veem mais protestos. Alguns poucos paraguaios, a maioria estudantes universitários, permanece a postos nas cercanias da tevê pública. Aos 70 anos, José Gentile, ator de cinema e velho militante do Partido Socialista, entende que o pecado de Lugo foi ter confiado em seu vice, Federico Franco, indicado presidente. E ataca a campanha moralista contra o presidente, um ex-bispo católico acusado de ter mantido relações sexuais e tido filhos com várias fiéis. “Utilizaram muito a questão dos filhos. Mas os senadores têm filhos por todos os lados, apenas tapam a boca das mulheres com dinheiro.”

A aparente calma popular contrasta com a ebulição de teorias que começam a ser formuladas para o golpe que ocorreu na sexta-feira 22 no Paraguai. Uma semana depois de o Congresso destituir em rito sumário o presidente do país democraticamente eleito, aumentam as certezas de que não foi por governar mal que Fernando Lugo caiu, e sim por contrariar interesses. E mais: surgem indícios de que o impeachment foi o último lance de uma grande armação possivelmente posta em prática no conflito entre os sem-terra e um fazendeiro, causa apontada para sustentar o processo de cassação.

Ainda atônitos, muitos analistas se perguntam: por que derrubar Lugo a nove meses da eleição se a economia do Paraguai vai bem, se sua aprovação popular continuava alta e se não havia nenhuma razão concreta que justificasse apelar ao julgamento político, previsto na Constituição, mas executado às pressas, sem direito de defesa? Antes de simplesmente aceitar à primeira hora a derrubada de um presidente eleito com mais de 40% dos votos paraguaios em 2008, é preciso tentar achar respostas plausíveis para essas dúvidas. Como é necessário ressaltar que parte expressiva dos meios de comunicação paraguaios participou da farsa do neogolpe, que dispensa as Forças Armadas, disfarçado de legalidade.

*Leia matéria completa na Edição 704 de CartaCapital, já nas bancas

registrado em: