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Os fatos, nada mais

por Leandro Fortes — publicado 29/06/2012 11h47, última modificação 29/06/2012 11h47
A artilharia tucana tentou desmoralizar o depoimento do jornalista Luiz Carlos Bordoni, mas os relatos precisos complicaram a defesa do governador Marconi Perillo
Couto

O senador Mário Couto se disse censurado, xingou, esperneou e, por fim, decidiu abandonar a comissão. Foto: Dida Sampaio/AE

A cena durou uns poucos minutos, mas foi carregada de simbologia. Na quarta-feira 27, inscrito para fazer perguntas ao jornalista Luiz Carlos Bordoni em uma sessão da CPI do Cachoeira, o senador paraense Mário Couto, do PSDB, deu um chilique memorável, com direito a berros, socos na mesa e uma saída imaginada para ser triunfal. Pouco antes, Bordoni, que por 14 anos trabalhou nas campanhas políticas do governador goiano Marconi Perillo, havia afirmado ter recebido em 2010 dinheiro do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. “Eu trago aqui a verdade dos fatos. Pelo meu trabalho limpo, eu fui pago com dinheiro sujo.” A gravidade da acusação provocou um surto no senador paraense, mas não foi um ato isolado.

Naturalmente esvaziada por conta da proximidade do recesso parlamentar, marcado para 14 de julho, a CPI chegou a um impasse também porque a disposição inicial dos governistas foi substituída por uma cautela política que beira a capitulação. Centrada na investigação da ligação da Delta Construções com dois governadores – além de Perillo, o petista Agnelo Queiroz, do Distrito Federal –, a comissão perdeu o foco sobre as relações explícitas da mídia com a quadrilha e abriu espaço para um crescente movimento de desmoralização interna tocado abertamente pelos tucanos e por parlamentares do DEM. Como Perillo está em situação muito pior que aquela de Queiroz, desqualificar o trabalho da CPI tornou-se uma ação necessária para a oposição.

Daí o simbolismo do espetáculo de Couto. Não que alguém dê importância ao que ele fale ou faça. Na tribuna do Senado, Couto se transformou num figura folclórica, a berrar discursos histriônicos sem pé nem cabeça, quase sempre acusações ao governo em tom de grosseria pura e simples. Mas a cena durante a sessão da quarta-feira 20 foi além de uma simples performance teatral. Agressivo com o depoente, o senador foi repreendido pelo vice-presidente da CPI, o deputado petista Paulo Teixeira. Aproveitou então para se dizer perseguido e censurado e, aos berros, com o dedo em riste, anunciou sua saída da comissão. “Ninguém pode dizer que é uma CPI séria. Por isso, eu me retirei e não vou mais a essa CPI, porque acho que ela perdeu a credibilidade.”

*Leia matéria completa na Edição 704 de CartaCapital, já nas bancas

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