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Os 11 anos do 11/9

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 14/09/2012 11h31, última modificação 14/09/2012 11h31
Ataques às representações diplomáticas no Egito, Líbia e Iêmen mostram como os Estados Unidos continuam a produzir seus próprios inimigos
Iemen

Iêmen. Manifestantes tentam invadir a embaixada antes de seem dispersados pela polícia. Foto: Mohammed Huwais/AFP

Onze anos depois, qual o saldo político e estratégico do ataque da Al-Qaeda e das reações do Ocidente que desencadeou, ou para as quais serviu de pretexto? Em maio último, Barack Obama anunciou a morte de Osama bin Laden e garantiu que a Al-Qaeda estava “a caminho da derrota”. Um relatório do Departamento de Estado de 31 de julho insistiu em que “a perda de Bin Laden e outros ativistas importantes pôs a rede no caminho do declínio”, mas mesmo que se julgue irrelevante a falsificação dos detalhes da operação revelada recentemente por um dos soldados que dela participou (Bin Laden não resistiu de armas na mão, foi derrubado a tiro e executado depois de caído), era óbvio a qualquer observador imparcial que isso não era mais verdadeiro do que o anúncio de “missão cumprida” de Bush júnior após a invasão do Iraque.

Por mais que os EUA anunciem a cada mês a morte de um ou mais líderes da organização, a influência de suas ideias nunca foi tão ampla. Forças da Al-Qaeda e seus aliados governam partes do Iêmen, da Somália e do Mali e mantêm em xeque o governo do Iraque, aliás, simpatizante de outros fundamentalistas, os aiatolás do Irã. Em 9 de setembro, ataques da Al-Qaeda mataram 108 e feriram 371 nesse país em atentados contra o governo, representações diplomáticas estrangeiras e santuários xiitas, enquanto o próprio vice-presidente sunita, Tariq Al-Hashimi, refugiado na Turquia e aliado dos rebeldes sírios, era condenado à morte por seu governo por suposta participação em assassinatos de autoridades xiitas.

Se levarmos em conta o fundamentalismo sunita em um sentido mais amplo do que o terrorismo de Bin Laden, seu crescimento foi ainda mais espantoso. Está no poder em Gaza, na Tunísia e no Egito, o que era inimaginável em 2001. No dia 11 de setembro de 2012, a radicalização islâmica mostrou-se ainda mais forte do que parecia.

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