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Obama 2.0

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 18/01/2013 11h31, última modificação 18/01/2013 11h31
A escolha dos novos homens do presidente e sua posição na questão da regulamentação das armas apontam para um segundo mandato mais combativo

O presidente ­Barack Obama vai substituir parte importante da equipe na virada do primeiro para o segundo mandato, que se inicia em 20 de janeiro. Como as nomeações dependem do Senado, onde os democratas são maioria, são razoavelmente seguras, a menos que algum crime ou escândalo sexual seja revelado na última hora: Hillary Clinton cederá a Secretaria de Estado ao ex-candidato presidencial democrata John Kerry, a Secretaria da Defesa passará das mãos do ex-chefe da CIA Leon Panetta para as do ex-senador Chuck Hagel, e Michael Morell, diretor interino da CIA, será sucedido pelo ex-agente John Brennan, atual assessor de contraterrorismo da Casa Branca. O secretário do Tesouro, Tim Geithner,­ ­deve deixar o posto até o fim de janeiro para o atual chefe de gabinete Jack Lew, e também devem ser substituídos o porta-voz Jay Carney, o procurador-geral Eric Holder, a diretora da Agência de Proteção Ambiental (EPA) Lisa Jackson e a secretária do Comércio interina Rebecca Blank.

Qual o sentido geral dessas mudanças? Em contraste com a equipe original, que expressava a esperança de um governo de união entre facções democratas (incluindo sua maior rival na disputa democrata, Hillary Clinton) e de negociação racional com a oposição, com nomes tidos como relativamente amigáveis para com os republicanos e Wall Street, a nova parece ter um perfil mais monolítico, fiel e combativo, formado por figuras pessoalmente mais próximas do presidente e de suas ideias. Passada a reeleição, Obama­ parece estar consciente da inutilidade de tentar dobrar a intransigência dos republicanos do Tea Party, cujo propósito central é fazê-lo fracassar para abrir caminho a uma agenda ­reacionária sem concessões. A nova aposta parece ser “ou vai ou racha”: conquistar respaldo popular para pressionar os conservadores e construir um legado. Se não atingir seus objetivos, ao menos não será lembrado pela hesitação e timidez que transmitiu no primeiro mandato, principalmente para seus críticos liberais.
A reação positiva da opinião pública às suas iniciativas em socorro aos flagelados pelo furacão Sandy em Nova York e New Jersey sugere que tal mudança de atitude pode ser proveitosa. De uma só vez Obama melhorou sua imagem, mudou o rumo da campanha eleitoral, garantiu a vitória sobre Mitt Romney, demonstrou na prática a necessidade do governo federal e de sua agência de gerenciamento de emergências (que ­Romney prometia extinguir) e recolocou as questões do ambientalismo e da mudança climática na pauta da mídia.
*Leia matéria completa na Edição 732 de CartaCapital, já nas bancas

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