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O sol opaco do visionário

por Francisco Quinteiro Pires — publicado 18/01/2013 11h32, última modificação 18/01/2013 11h32
Em Lincoln, Steven Spielberg retrata o presidente como líder sem paralelo e os escravos como resignados à espera da emancipação

De Nova York
O novo filme de ­Steven Spielberg propõe uma interpretação clara de Abraham Lincoln (1809-1865), o presidente dos Estados Unidos que aboliu a escravidão. Spielberg trata Lincoln como “um visionário da moralidade”, “um líder de habilidade e determinação sem paralelo”, “um presidente que lutou para mover o país do seu momento mais sombrio para ‘o renascimento da liberdade’”. Com essa tese, Lincoln, que estreia na sexta 25 no Brasil, foi o mais contemplado com indicações ao Oscar deste ano, 12, entre elas a de melhor filme e melhor diretor. Na premiação do Globo de Ouro, o favoritismo de nada valeu. De sete indicações, venceu uma, melhor ator para Daniel Day-Lewis.

Spielberg usou como inspiração para o roteiro de Lincoln, adaptado por Tony Kushner, também indicado ao Oscar, o best seller de Doris Kearns Goodwin intitulado Team of Rivals, The Political Genius of Abraham Lincoln (2005). Doris compartilha a opinião de Liev ­Tolstoi: “A grandeza de Napoleão, César ou (­George) Washington só é ofuscada ­pelo sol de Lincoln. Ele foi maior do que seu país”. Ganhadora do Pulitzer Prize, Doris mostra em Team of Rivals o episódio em que Lincoln converte quatro adversários em aliados depois de nomeá-los integrantes do seu gabinete. O rotineiro modus operandi político de unir rivais em prol da administração foi ressaltado nos últimos meses pela imprensa norte-americana, em contraste com a luta partidária que afeta a Presidência de Barack Obama.
Sessões de Lincoln foram exibidas na Casa Branca e no Senado, onde trataram a obra como portadora de lições cívicas. Tony Kushner admitiu em entrevista recente à National Public Radio (NPR) ser “proveitoso” analisar o governo de Obama tendo em vista a história de Lincoln. “A mensagem do filme seria a seguinte: o presidente tem grande poder, mas tenacidade e trabalho árduo são necessários para que o uso daquele poder resulte em reformas radicais”, diz a CartaCapital David ­Bromwich, professor da Yale University.



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