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O poder subterrâneo

por Eduardo Graça — publicado 01/11/2012 10h41, última modificação 01/11/2012 10h41
Mal captado pelas pesquisas eleitorais, o voto latino pode fazer a diferença e reeleger o democrata Barack Obama
EUA

Campanha. A brasileira Isabel Santos, delegada democrata, e a americana Robin Blanchard. Foto: Eduardo Graça

*De Boca Raton (Flórida)

Mudam os interlocutores, permanece o tom da conversa na lanchonete localizada no coração do enclave brasileiro nos limites de Pompano Beach e Boca Raton. O assunto, e a empolgação, são os mesmos. “Oi, Isabel! Adorei ver você na tevê. Vou votar na terça-feira, pode deixar!”, diz uma freguesa apressada, fã do pão de queijo local. De olho na coxinha de frango, Margarida Oliveira ainda não é cidadã americana, mas faz questão de trocar um dedo de prosa com Isabel Santos, a primeira brasileira a se tornar delegada do Partido Democrata, com direito a voto e tudo na convenção de Charlotte.
“Já que você não pode votar, peça para algum americano desinteressado em ir às urnas fazê-lo em seu nome. Cada voto é importante para nós”, diz a delegada. Margarida responde de pronto: tem catequizado as patroas americanas, ainda indecisas entre renovar a confiança no presidente democrata ou apostar na novidade republicana. Como todas as pesquisas no estado sulista, dono de preciosos 29 votos no colégio eleitoral, apontam vantagem de apenas 1 ponto para o republicano Mitt Romney, os cerca de 10 mil brasileiros aptos a votar na região, número estimado pelas lideranças políticas locais, têm uma oportunidade rara de influenciar o destino da maior economia do planeta.
Quando conversei com Isabel e a americana Robin Blanchard, que fala português fluente e viveu em Paraty e Belo Horizonte no início da década, a tempestade Sandy acabara de chegar à costa da Flórida. O dia estava feio, com chuva e ventos fortes, mas o ex-furacão poupou o estado e partiu com fúria para New Jersey e Nova York. “As pesquisas estão erradas. Elas não levam em conta o nosso voto. A mobilização dos latinos está igual ou maior do que em 2008 na Flórida e vamos fazer a diferença no resultado final”, diz a brasileira.
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