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O não evento do ano

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 11/01/2013 12h35, última modificação 11/01/2013 12h35
A Justiça da Venezuela decide que Chávez continua presidente mesmo sem tomar posse, mas isso não elimina as incertezas

 

Poucas vezes, desde a Batalha de Itararé, um não evento causou tanta expectativa quanto a não posse do presidente Hugo Chávez em 10 de janeiro, marcada – apesar da ausência do principal interessado – por um grande ato público e pela presença dos presidentes do Uruguai, Bolívia, Nicarágua, Haiti e Suriname, dos chanceleres da Argentina e Equador, do presidente paraguaio deposto Fernando Lugo e do vice-primeiro-ministro de Cuba, Miguel Díaz Canel.

Em 8 de dezembro, Chávez anunciou sua viagem a Cuba para sua quarta cirurgia e pediu a seu povo que elegesse seu vice, Nicolás Maduro, “caso se apresente alguma circunstância que me inabilite”. Sua expectativa, aparentemente, era chegar à data fatídica ou definitivamente incapacitado ou então vivo e em condições de tomar posse com as formalidades de praxe.

O paciente foi operado no dia 11 e uma semana depois se informou que ele fora acometido por uma infecção respiratória, já controlada. O presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, levantou então, pela primeira vez, a possibilidade de adiar a posse. Na véspera do Natal, após Maduro anunciar que falara com Chávez por 20 minutos, em recuperação e fazendo exercícios, ele e o ex-candidato da oposição Henrique Capriles concordaram em que a posse poderia ser adiada. “É preciso ser muito sério e muito transparente nestes casos, penso que não perde a condição de presidente eleito a pessoa que não possa tomar posse exatamente no dia estabelecido”, disse Capriles a jornalistas, admitindo que a ausência poderia se estender por 90 dias e prorrogada outros 90 antes de se estabelecer a “falta absoluta” que exigiria a convocação de nova eleição em 30 dias, como prevê a Constituição Bolivariana.

Entretanto, em 4 de janeiro, o governo anunciou que Chávez sofria de insuficiência respiratória e desde então seu estado de saúde tem sido oficialmente descrito como “estacionário”. E assim se tornou uma versão política do gato de Schrödinger, o paradoxal animal quântico fechado numa caixa, cuja sobrevivência dependeria do estado indeterminado de uma partícula subatômica e não estaria vivo ou morto enquanto o cientista não o examinasse.

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