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O morcego revolucionário

por Eduardo Graça — publicado 20/07/2012 12h34
O episódio derradeiro da trilogia traz Batman às voltas com a luta de classes no mundo capitalista pós-globalizado

A ressurreição do homem-morcego, prometida no título, somente se dá na segunda metade de Batman, o Cavaleiro das Trevas Ressurge, o tomo derradeiro da trilogia iniciada há sete anos pelo diretor britânico Christopher Nolan, considerada por críticos um dos mais bem-acabados trabalhos de cinema de entretenimento da história de Hollywood. Não importa. Mais do que em Batman Begins (2005) e Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008), um dos dois protagonistas do filme que chega aos cinemas brasileiros na sexta 27 é Bruce Wayne, o bilionário encarnado uma vez mais por Christian Bale. A outra é Gotham City, desta vez cópia exata de Nova York, ameaçada por atentados terroristas e por uma ebulição populista com ecos tanto do Ocupem Wall Street quanto dos ultraconservadores do Tea Party. O mundo real explode na tela gigantesca de um filme de ação com subtexto político ainda mais escancarado do que seu predecessor, campeão de audiência com mais de 1 bilhão de dólares de bilheteria e um Oscar póstumo por causa da perturbadora interpretação de Heath Ledger para o insano e subversivo Coringa.

“Foi o público que decidiu ver O Cavaleiro das Trevas por um viés político. Não foi uma escolha minha. Não fiz um cinema político per se. O foco é o entretenimento, a diversão. Agora sim, claro, tentei ser o mais sincero possível ao retratar os medos, os receios da nossa sociedade. Na hora de construir um vilão, uma ameaça a uma grande metrópole ocidental, incluí elementos que naturalmente ressoam com o mundo real”, diz Nolan, em coletiva de imprensa em um hotel de luxo localizado no coração de Beverly Hills.

Cabelo esvoaçante, semblante cansado, o diretor de 41 anos que passou uma década entregue à criação de um universo mais ou menos fictício em torno de uma certa Gotham City despede-se de seu projeto mais bem-sucedido de forma grandiosa: um orçamento estimado em 250 milhões de dólares, 1h12 minutos de cenas no formato Imax e a introdução de personagens riquíssimos, como o vilão Bane, vivido por Tom Hardy, a executiva e possível interesse amoroso Miranda Tate, encarnada por Marion Cotillard, o policial prodígio John Blake, a cargo de Joseph Gordon-Levitt e, especialmente, a Selina Keye de Anne Hathaway.

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