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O mago do Catumbi

por Ana Ferraz publicado 09/03/2012 12h34, última modificação 09/03/2012 12h34
Mostra de fôlego no CCBB de Brasília reconstitui a trajetória biográfica do inigualável Pixinguinha
Pixinguinha, Elizeth, Cartola e Clementina

Pixinguinha durante gravação para disco de Elizeth Cardoso com Cartola, Clementina de Jesus e Abel Ferreira na clarineta. Foto: Arquivo do Estado de São Paulo

No casarão dos Vianna no Catumbi, que no fim do século XIX era um bucólico bairro carioca, o som do choro preenchia todos os espaços. Quem comandava o sarau era o patriarca, um flautista amador. Ainda pequeno para se juntar ao grupo instalado na sala, o 12º de 14 irmãos resignava-se a espiadelas pela porta entreaberta do quarto. Não tardaria, entretanto, a revelar seu talento e conquistar o direito de fazer parte da foto em que toda a família aparece junta, cada qual com seu instrumento. O ano era 1865 e o garoto de 11 anos, Alfredo da RochaVianna Júnior, o Pixinguinha. Na imagem desbotada, ele empunha um cavaquinho. Pouco depois viria a flauta de prata presenteada pelo pai, as aulas de música e os convites para tocar nas festas de família. O raro domínio técnico como intérprete, o talento para compor e arranjar e a permeabilidade às novas sonoridades acabaram por fazer de Pixinguinha um artista inigualável.

“O Brasil jamais produziu um músico popular dessa envergadura”, atesta o maestro Caio Cezar. Ele divide com o neto de Pixinguinha, Marcelo Vianna, a direção musical da exposição que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília apresenta de terça 13 a 6 de maio. Pixinguinha divide-se em 12 partes a ocupar o Pavilhão de Vidro e a Galeria 2 do prédio. Em sentido cronológico, a mostra resgata as principais fases da vida do músico. Da Sala 1 (Pensão Vianna, período 1850-1911) à 12 (São Pixinguinha, período de 1897-1973), o visitante é convidado a mergulhar na trajetória e obra do artista, representado por meio de acervo garimpado em coleções públicas e particulares. “A parte musical caminha juntamente com fotos, documentos, roupas, aspectos sociais e políticos de cada época”, diz Cezar. “Pixinguinha foi o pai da orquestração brasileira, o primeiro a definir uma linguagem musical.”

Para a produtora Lu Araújo, curadora da exposição e coordenadora do livro Pixinguinha – O gênio e seu tempo (Casa da Palavra e Lume Arte, 184 págs., R$ 85), de André Diniz, a ser lançado na mostra, o músico “uniu o saber das notas musicais à riqueza da cultura popular. Pixinguinha incorporou elementos brasileiros às técnicas de orquestração. Fator fundamental para isso foi sua experiência nas diversas formações em que atuou: bandas, orquestras, regionais e conjuntos de choro e samba”. E acrescenta: “As orquestras dos teatros de revista também foram fundamentais para a formação dele como arranjador”.

*Leia matéria completa na Edição 688 de CartaCapital, já nas bancas

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