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O lobby do tomate acabou frustrado

por Luiz Antonio Cintra — publicado 19/04/2013 10h57, última modificação 19/04/2013 10h57
O Banco Central aumenta a Selic para 7,5% ao ano, mas sem viés de alta
Ana Maria Braga e seu colar de tomates (Foto: Instagram/Reprodução)

Pomodoro. O colar de Ana Maria Braga se desvalorizou. O preço do quilo de tomate caiu de 10 para 2,50 reais. Foto: Instagram

Pode-se dizer que houve um empate. O “lobby do tomate” queria mais, muito mais, como se viu no noticiário econômico do dia seguinte. O Banco Central cedeu, nem tanto, porém. Na quarta-feira 17, o Comitê de Política Monetária anunciou uma leve alta dos juros básicos, de 7,25% para 7,5% ao ano, sem viés. Ou seja, o BC vai avaliar o cenário nas próximas semanas antes de decidir se continua ou não a aumentar a Selic, piso para todas as outras taxas cobradas e pagas pelo sistema financeiro.

O tomate virou um símbolo, tardio e inapropriado é verdade, mas indicador de um comportamento incômodo dos preços nos últimos meses. O pior problema tem sido a dispersão dos aumentos: 75% dos itens que compõem o IPCA, índice oficial de inflação, registram há meses altas consecutivas. Apesar de esperado, o fato de a inflação ter superado o teto da meta, estabelecida em 6,5%, levou o BC a subir os juros, ao menos para escapar das acusações de leniência no combate ao velho dragão e diminuir levemente os anseios dos agentes financeiros.
O “lobby do tomate” não é movido necessariamente por uma legítima preocupação com o descontrole dos preços. Desde o início da queda dos juros, em agosto de 2011, a vida dos rentistas no Brasil não pode ser mais descrita como um dolce far niente. A taxa a 7,25% (e não ser diferente a 7,5%) reduz a níveis nunca antes imaginados o ganho real dos poupadores. Nos primeiros três meses deste ano, todas as aplicações financeiras perderam para a inflação, o que tirou o sono de muita gente acostumada a viver de renda.
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