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O Exu dos palcos

por Redação Carta Capital — publicado 14/12/2012 14h08, última modificação 14/12/2012 14h08
O diretor Zé Celso apresenta o musical Acordes, enquanto prepara seu Oficina para "reflorestar" culturalmente o Bexiga
Sao Paulo 30nov12 - Ze Celso no Teatro Oficina.

Não me respeitem! Mestre de cerimônias do novo espetáculo, Zé Celso e trupe se sentem como os Rolling Stones

por Alvaro Machado

Não me respeitem, porque eu não respeito ninguém!”, exclama José Celso Martinez Corrêa a CartaCapital em seu apartamento paulistano. A citação, uma de suas favoritas, é de um revolucionário em Pequenos Burgueses, de Gorki, peça que o diretor montou no Teatro Oficina em 1963. “Exu das artes cênicas brasileiras”, segundo uma das autoridades máximas do candomblé, Mãe Stella, o diretor é o “abre-caminhos” da linguagem -teatral brasileira e o fundador de um “terreiro eletrônico”, como ele próprio passou a chamar o Teatro Oficina de São Paulo reformulado pela arquiteta Lina Bo Bardi.

Desde a retomada desse espaço nos anos 1990, Zé Celso tornou-se “cavalo” e porta-voz das entidades que venera, a atriz Cacilda Becker e os dramaturgos Oswald de Andrade, Nelson Rodrigues, Antonin Artaud e Bertolt Brecht. Para eles tem oferecido trabalhos com a colaboração dos 57 atores, músicos e agregados da companhia Uzyna Uzona. O último desses trabalhos estreou há um mês. Pleno de cortejos carnavalescos e elementos circenses, o musical Acordes toma por base dois textos de Brecht escritos em meio à debacle financeira de 1929: A Importância de Estar de Acordo e O Voo de Lindbergh, rebatizada pelo autor O Voo sobre o Oceano após o aviador -norte-americano Charles Lindbergh apoiar o nazismo. Em maquiagem e vestes brancas clownescas, o “mestre de cerimônias” Zé Celso e trupe recriam as canções que Paul Hindemith compôs para a segunda peça. A montagem conecta a atual crise econômica à proposta brechtiana de recusa às ajudas com as quais os governos acenavam às vítimas da especulação. “Ajuda tornou-se palavra banida do nosso vocabulário”, sublinha o diretor. No espaço de 13 metros de altura do teatro, a tese é potencializada por projeções de vídeos e amplificações de banda e coro: “Descobrimos o poder da afinação e nos sentimos os Rolling Stones”, entusiasma-se. Um aeroplano “voa” pela passarela cênica de 50 metros de comprimento e anjos trompetistas “caem” desde o terceiro patamar de arquibancadas, enquanto o espetáculo é transmitido ao vivo para telões no teatro e para o site do Oficina. Nos telões, alternam-se imagens sobre a recente sucessão de incêndios em favelas paulistanas, agressões a etnias indígenas, protestos de rua espanhóis etc.

*Leia matéria completa na Edição 728 de CartaCapital, já nas bancas