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O etanol no limbo

por Sergio Lirio publicado 15/03/2013 11h51, última modificação 15/03/2013 11h51
Após um período de grandes investimentos na era Lula, o álcool combustível perde espaço nas bombas e os produtores ficam menos otimistas quanto ao futuro

 De Nova Alvorada do Sul (MS)

Marcelo faria percorre 150 quilômetros por dia. É uma fase crucial de seu trabalho, tenta me explicar, enquanto descreve as diferenças entre as variedades de plantas em um imenso canavial de fronteiras inalcançáveis pelos olhos.

Para um urbanoide, é impossível enxergar qualquer peculiaridade naquele mar de folhas retorcidas que tentam se proteger do sol abrasador. Faria, ao contrário, as vê como bebês, ou crianças, com todas as suas potencialidades e deficiências. Seu trabalho é extrair o máximo de cada caule quando a colheita começar, daqui a um mês, no coração de Mato Grosso do Sul. “A safra vai ser boa”, afirma, ao lado de um pé de cana de 2,5 metros de altura.

Aos 30 anos, Faria é um trabalhador experiente. Começou a frequentar canaviais no interior de São Paulo aos 12 anos, em companhia do pai. Nessas quase duas décadas, o gerente agrícola assistiu a uma mudança sem precedentes no setor. Na nova fronteira da cana no Centro-Oeste, não há espaço para os migrantes temporários, os boias-frias. Com eles desapareceram as condições desumanas de trabalho e a exploração ao estilo escravocrata. Os facões imprecisos e as queimadas criminosas foram substituídos por colheitadeiras guiadas por satélite. Até novembro, as máquinas ficarão ligadas 24 horas por dia, sete dias da semana. Um pouco mais de 500 trabalhadores bastam para entregar à usina 4,6 milhões de toneladas de cana que serão convertidos em 350 milhões de litros de etanol e 300 mil megawatts/hora de energia elétrica, o suficiente para abastecer 100 mil residências.

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