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O escândalo das fragatas

por Paolo Manzo — publicado 26/10/2012 12h53, última modificação 26/10/2012 12h53
Nelson Jobim é citado em denúncia de propina na Itália
Scajola

Personagens. A transação envolveria Jobim, Lavitola ligado a Berlusconi, e Sacjola (foto), ex-ministro e "intermediário". Foto: Remo Casilli/Reuters/LatinStock

Segundo maior grupo industrial da Itália e um dos maiores fabricantes europeus na área de Defesa, a Finmeccanica acaba de se enredar em um escândalo de corrupção internacional com tentáculos no Brasil e no Panamá. Na manhã da terça-feira 23, Paolo Pozzessere, ex-diretor-comercial do conglomerado, foi preso e levado à cadeia de Poggioreale após uma ordem de captura emitida pelos magistrados do Tribunal de Nápoles, que o acusam de corrupção internacional. No dia seguinte, os principais jornais italianos divulgaram trechos do interrogatório de Lorenzo Borgogni, que no passado respondia pela área de relações institucionais da Finmeccanica. Aos responsáveis pela investigação Borgogni revelou um acerto para o pagamento de propina ao presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, e ao ex-ministro da Defesa brasileiro Nelson Jobim.

A Itália negociava com o Brasil a venda de 11 fragatas e outros materiais bélicos no valor de 5 bilhões de euros, cerca de 13 bilhões de reais. Segundo Borgogni, a propina equivaleria a 550 milhões de euros, ou 1,4 bilhão de reais. Ainda de acordo com o relato, a “comissão” seria dividida entre Jobim e Claudio Scajola, então ministro do Desenvolvimento do governo de Silvio Berlusconi. Metade para cada um. No caso do Panamá, Martinelli receberia, pela compra de seis helicópteros e um sistema de vigilância costeira, 18 milhões de euros.
Scajola, que é investigado pela Justiça italiana, seria a “ponte” entre a Finmeccanica e Jobim. Os dois ex-ministros desmentem com veemência as acusações. “É verdade que encontrei o ministro da Defesa Jobim. Na Itália, havia crise e tentei vender as embarcações. Era meu dever ajudar”, afirmou Scajola, que nega ter recebido dinheiro. “Nunca chegamos a falar de um tema como esse”, afirmou Jobim, entre surpreso e irônico, em entrevista ao jornal italiano La Stampa. “Não sei o que fizeram os italianos. Só sei que o projeto ProSuper, que previa a aquisição por parte da Marinha brasileira de fragatas com a transferência de tecnologia, foi cancelado por questões fiscais. Além disso, os italianos tinham de encontrar um parceiro brasileiro e não conseguiram.” Em resumo, a compra das fragatas não aconteceu. Parte da mídia italiana afirma que o negócio teria sido suspenso não por causa de restrições financeiras do Tesouro brasileiro, mas por causa do mal-estar provocado pela decisão de Lula de não extraditar o terrorista Cesare Battisti.
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