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O capricho da verdade

por Orlando Margarido — publicado 17/08/2012 12h28, última modificação 17/08/2012 12h28
O uruguaio Cesar Charlone e a fotografia promovida a recurso social
cinema

Por um olhar engajado. Em Artigas - La Redota, a saga do libertador que trouxe a independência ao Uruguai

Houve um momento em que o pequeno Uruguai abrigava três Cesar Charlone. O mais velho era ministro de um governo pré-ditatorial. Seu filho era homem de teatro, conhecido diretor, autor e produtor empenhado com a televisão nascente. Por fim, o primogênito deste ainda buscava seu destino como estudante numa escola católica inglesa e fazia da casa da avó um laboratório de fotografia como passatempo. Ao mesmo tempo que via um nome como o seu pichado nos muros em protesto à crescente política de repressão, sacava de uma máquina para registrar os protestos nas ruas. Aos amigos, dizia que queria fazer cinema e ouvia deles ser um hippie.
É este terceiro nome Cesar Charlone que o Brasil tem visto nos créditos dos filmes nacionais. Mas a sua formação primeira ocorreu em meio à situação social daqueles anos uruguaios. O hippie tornou-se um dos diretores de fotografia mais requisitados e premiados do País e basta apontar na lista assinaturas como o de Cidade de Deus, trabalho que não é sua maior preferência, para justificar a ascensão.
Se não fez cinema de imediato em seu território, tratou de, anos mais tarde, restabelecer a ligação não apenas na fotografia como também na realização. Estreou em 2007 na direção de longas-metragens com O Banheiro do Papa. Apresenta agora Artigas – La Redota, uma encomenda para uma série espanhola sobre os libertadores latino-americanos em competição no 40º Festival de Cinema de Gramado. Ele era o homem certo para relembrar o uruguaio José Artigas, a quem abarca não de forma direta, mas pelo interessante expediente de um retrato do revolucionário pintado por Juan Manuel Blanes, no qual se espelham a lenda e a verdade.
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