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Nunca mais o passado

por Eduardo Graça — publicado 25/05/2012 11h10, última modificação 25/05/2012 11h10
O ator norte-americano Will Smith elogia Barack Obama e espera que a máquina do tempo de Homens de Preto 3 o deixe longe da época de sofrimentos dos negros norte-americanos
Will Smith stars in Columbia Pictures' MEN IN BLACK 3.

Ao infinito e além. Will Smith, favorável a que os negros viajem sempre para a frente

Quando um repórter perguntou em entrevista coletiva no Hotel Copacabana Palace, em fevereiro, para que momento histórico Will Smith gostaria de viajar em uma virtual máquina do tempo, a resposta foi tão curta quanto certeira: “Para mim e para minha gente, qualquer lugar no passado vai ficando pior”. Homens de Preto 3, que estreia no Brasil uma década após o segundo título da lucrativa série, é a primeira produção estrelada pelo artista em quatro anos. No filme, o Agente J (vivido por Smith) volta ao passado para salvar o planeta e, de lambuja, a vida do parceiro, o Agente K. O papel, consagrado por Tommy Lee Jones, agora é encarnado por Josh Brolin, em versão jovem, nos anos 60. “Este é o melhor momento para o meu povo. Se tivesse de voltar no tempo, queria parar anteontem, quando Barack (Obama) assumiu a Presidência. Seria perfeito”, diz Smith. “Os brancos, no entanto, é claro, podem ir para qualquer lugar no passado que estarão bem.”

Poucas horas depois, em entrevista para um grupo reduzido de repórteres, CartaCapital voltou ao tema lançado pelo próprio protagonista de Homens de Preto 3, o artista negro mais bem-sucedido da história de Hollywood, a única estrela a alcançar a marca de oito filmes consecutivos, vendendo mais de 100 milhões de dólares nas bilheterias dos cinemas americanos e com enorme expressão nos quatro cantos do planeta. “Sou um grande fã de Barack, como homem e presidente dos Estados Unidos. O que ele fez pelo mundo, até mesmo ignorando o aspecto político, é algo impressionante. A ideia de um negro presidente dos EUA soa absolutamente fantástica ainda hoje. Sabe o que me deixa chateado? Se há seis ou sete anos nós em Hollywood tivéssemos contado, em tom realista, a história de um negro vencendo as eleições para presidente dos EUA, ouviríamos a maioria das pessoas dizendo que seria o pior filme de todos os tempos. Algo como ‘só mesmo no cinema americano, lá vêm eles com as palhaçadas deles’, o candidato negro jamais, nunca venceria no fim da projeção”, ele acredita.

Pouco antes da conversa, a assessoria de imprensa do ator pediu que temas pessoais e polêmicos fossem evitados. Smith teve de fazer um sinal claro com as mãos, interrompendo a assessora, para seguir tratando do assunto que ele mesmo trouxe à tona no começo do dia. Para o bem e para o muito bem, o ator de 43 anos ultrapassa a linha do politicamente correto defendida por Hollywood em suas interações com a mídia mundial. Ao divulgar Homens de Preto 3 em Moscou, o ator se esquivou de um repórter beijoqueiro (o vídeo, com o engraçadinho dando um selinho no ator, que reage dando-lhe um tapa, virou febre na internet). Saiu-se com um “graças a Deus pelos EUA existirem!” ao saber da proposta feita pelo presidente eleito da França, François Hollande, de aumento de Imposto de Renda para a parcela mais rica da população (Smith depois disse à Associated Press que paga com “tranquilidade” qualquer imposto que “ajude a economia dos EUA a seguir crescendo”) e cantou, na BBC, juntamente com todo o auditório do programa do comediante Graham Norton, o rap de abertura da série televisiva Um Maluco no Pedaço, que até hoje passa no SBT.

*Leia matéria completa na Edição 699 de CartaCapital, já nas bancas