Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / No tempo das diligências

Destaques CartaCapital

Newsletter

No tempo das diligências

por Redação Carta Capital — publicado 30/03/2012 11h20, última modificação 30/03/2012 11h20
Com 3 milhões de habitantes, a zona oeste carioca concentra os principais problemas de segurança da capital
tenente

Sob o domínio do medo. A polícia tem poucas condições de enfrentar as milícias. Foto: Adriana Lorete

Por Francisco Alves Filho

Na geografia do imaginário popular, demarcada pelos antigos filmes de bangue-bangue, o Oeste é uma região selvagem, dominada pelo crime e a violência. Era assim nos Estados Unidos do início do século XIX, período dissecado pelos westerns de Hollywood. E é assim no Rio de Janeiro dos dias atuais. Na zona oeste carioca, onde 41 bairros ocupam área equivalente à quase metade da cidade, boa parte da população sofre com a combinação criminosa de contravenção, que explora jogo do bicho e caça-níqueis, tráfico de drogas e milícia. Como resultado, algumas localidades são campeãs em mortes violentas.

Ali, como em nenhum outro pedaço do Rio, comunidades são subjugadas pelas armas dos bandidos, autoridades vivem sob ameaça e diferentes quadrilhas se enfrentam no estilo ostensivo dos caubóis. É a região de maior concentração de eleitores da cidade, mas as promessas feitas em anos de disputas eleitorais raramente se cumprem. No vácuo institucional, além de fatiar o território, os fora da lei avançam sobre a política. Milicianos da região conquistaram mandatos em eleições passadas e outros devem concorrer a cargos de vereador neste ano.

Na zona oeste, as mazelas cariocas no campo da segurança pública encontram sua mais perfeita síntese. “É uma área historicamente esquecida pelos governos e pela sociedade”, descreve o sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. “Apesar disso é o único lugar para onde a cidade pode se expandir e isso tem acontecido desordenadamente. Essa falta de regulação favorece novas formas de criminalidade.”

*Leia matéria completa na Edição 691 de CartaCapital, já nas bancas