Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / No fio da navalha

Destaques CartaCapital

Newsletter

No fio da navalha

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 29/06/2012 11h56, última modificação 29/06/2012 11h56
O anúncio da vitória da Irmandade Muçulmana aponta para uma delicada partilha de poder entre religiosos e militares

Após toda a movimentação golpista da junta militar egípcia (Supreme Council of the Armed Forces – SCAF) e quase uma semana de adiamento do anúncio do resultado da eleição de 16 e 17 de junho, cheia de tensão e ameaças pouco veladas de repressão violenta, foi quase uma surpresa ouvi-la anunciar a vitória do candidato da Irmandade Muçulmana no domingo 24.

O anúncio oficial confirmou que Mohamed Morsi venceu com 51,73% dos votos válidos. Exatamente a mesma porcentagem e quase o mesmo número de votos que seu Partido Liberdade e Justiça ( FJP em inglês) anunciara na manhã da terça-feira 19, sendo por isso criticado pela SCAF.

Segundo analistas árabes em blogs e no Twitter, foi uma semana de duras negociações de bastidores entre a Irmandade e a SCAF, cujo resultado parece ter surpreendido o rival de Morsi, o marechal do ar Ahmed Shafik, ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak e presumível favorito dos militares. Ele acusara a FJP de violar a lei eleitoral, insistiu em que vencera com 52% dos votos e só admitiu a derrota bem depois do anúncio oficial. Na segunda-feira 25, um procurador o citou em um processo por corrupção e grilagem de terras durante sua gestão como ministro da Aeronáutica, de 2002 a 2011. No dia seguinte, o ex-candidato tomou um avião para Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes Unidos e lugar de exílio de vários ex-partidários de Mubarak, a pretexto de uma “peregrinação religiosa”, naturalmente inadiável.

*Leia matéria completa na Edição 704 de CartaCapital, já nas bancas

 

registrado em: