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Maldito entre os seus

por Orlando Margarido — publicado 27/01/2012 10h44, última modificação 27/01/2012 10h44
O Museu Nacional de Belas Artes traz obras de Modigliani contextualizadas por documentos e fotos

Para os franceses, ele era Modi. O tratamento, que poderia sugerir afeição dirigida ao italiano Amedeo Modigliani (1884-1920), então estabelecido em Paris, também determinava como o artista era visto no período. A pronúncia igualava-se à da palavra maudit, maldito em francês, ou, de modo mais incisivo, amaldiçoado. Ao chamá-lo desse modo, conceituava-se seu estilo de vida, antes mesmo que fosse possível reconhecer o valor artístico de sua obra, definida pela ousadia e personalidade.

Modigliani não se enquadrava na pluralidade de tendências e movimentos então vigentes. As silhuetas alongadas que trouxe ao figurativo tornaram-se marcas das mais reconhecíveis no panorama moderno da arte. Junto à independência, havia a exacerbação do boêmio que bebia, consumia haxixe e se entregava aos prazeres. Morreu precoce, martirizado por uma saúde precária que o acompanhou por toda a existência.

Essa face, digamos, mundana, aliada à sua predileção pela cor e ao tratamento humano dado a muitos de seus retratos e nus femininos, tem especial atenção na mostra que o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) promove de quarta 1º até 15 de abril, no Rio de Janeiro. Modigliani – Imagens de uma vida justifica sua aproximação mais pessoal com um lote de 230 peças, dos quais apenas 12 são pinturas e 8, esculturas de autoria do italiano. As demais incluem obras de contemporâneos amigos, de nomes formadores, fotografias em que se revela a convivência com artistas estabelecidos em Paris, admiradores e incentivadores, suas mulheres e a família, documentos e registros de suas ideias em diários e manuscritos. O acervo reunido, procedente do Modigliani Institut Archives Légalés Paris-Roma e de coleções particulares, poderá ser visto no Museu de Arte de São Paulo (Masp), entre maio e agosto deste ano, em data ainda não definida. Proprietário de seis retratos significativos do artista, o museu ainda não acertou a possibilidade da inclusão delas na mostra.

*Leia matéria completa na Edição 682 de CartaCapital, já nas bancas.

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