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Honra teu pai

por Orlando Margarido — publicado 15/03/2013 11h49, última modificação 15/03/2013 11h49
Com a sabedoria paterna ainda a lhe falar, Wagner Moura segue sua ética na vida pública e na carreira

Nada obriga Wagner Moura a suas decisões. Eleito para a fama à revelia, como acredita, ele procura, no entanto, preencher a figura célebre da melhor maneira. Se enxergam, antes do ator, a pessoa famosa, ele então usa sua visibilidade para comunicar algo relevante. Opina na política, critica a mídia, faz-se ouvir. Na carreira, recusa papéis que não se conjuguem com seus ideais. Tem sido assim desde que esse baiano de 36 anos deixou o teatro para construir no cinema um dos talentos mais sólidos de sua geração, à qual pertencem Lázaro Ramos e João Miguel, para ficar nos conterrâneos. A postura de atacante, mais para Capitão Nascimento de Tropa de Elite do que outro Nascimento, o de VIPs, é anterior à atuação e vem do ensinamento paterno, o qual não se cansa de honrar, como numa parábola bíblica. É também a inspiração do pai que o orienta em um novo filme.

Nunca antes, e Wagner Moura está perto da marca de 20 longas-metragens, a relação entre pai e filho lhe surgiu tão evidenciada quanto em A Busca, estreia da sexta 15. “É curioso. De forma inconsciente, eu sempre fiz filmes sobre pais e filhos, ao menos desde Abril Despedaçado, relembra em entrevista a CartaCapital. “E levei o tema até mesmo ao teatro com Hamlet, que sempre quis representar.” O filme de Luciano Moura, cineasta sem parentesco com o ator, enreda três gerações de homens fracassados no entendimento quando o adolescente Pedro (Brás Antunes, filho do músico Arnaldo Antunes) determina a virada. Vindo de um lar recém-desmantelado, ele some de casa e obriga o pai (Moura), intolerante e também desorientado pela separação, a sair à sua procura, o que envolverá a figura do avô distante (Lima Duarte).

Presume-se, claro, a viagem transformadora de Theo, o pai, cujo nome sabemos onipotente desde os gregos e que aqui se apresenta impotente. Dessa forma se justificariam algumas doses a mais de dramaticidade, requisitadas para que a trajetória se cumpra com louvor. Mas há uma condição pessoal do ator de que a ficção não dá conta. Enquanto atuava em A Busca, seu pai, José Moura, adoeceu. Ele havia concluído o filme e estrelava outro, O Homem do Futuro, quando a morte do patriarca o levou de volta a Rodelas, pequena cidade do sertão baiano onde nasceu e passou a infância com a família. “Foi dureza vê-lo adoecer. Era uma presença forte, importante, todos os dias penso nele.” Destaca não uma influência elaborada, mas uma postura simples, de conselhos práticos. “Como a de não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Funciona.”

*Leia matéria completa na Edição 740 de CartaCapital, já nas bancas

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