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Guerra civil, é oficial

por Gianni Carta publicado 20/07/2012 12h30, última modificação 20/07/2012 12h30
Os rebeldes atingem o coração do poder e Assad estaria no fim
Síria

Segundo The Gardian, a mulher de Assad já teria buscado refúgio na Rússia. Foto: Miguel Medina/AFP

O regime sírio não poderá se recuperar após esse ataque. Palavras de um editorialista do diário pan-árabe Al-Sharq al-Awsat, logo em seguida a um atentado a bomba que na quarta-feira 18 matou três dirigentes de alto escalão ligados ao presidente Bashar al-Assad. O próprio Assad não se pronunciou sobre as mortes de seu cunhado e arquiteto da repressão, Assef Shawkat, do ministro da Defesa, Daoud Rajha, e do líder do comitê militar, o general Hassan Turkmeni. Isso porque Assad, também presente à reunião semanal em uma sala na sede do quartel-general do Departamento de Segurança Nacional, teria sido ferido. No entanto, na quinta-feira, Assad, segundo informação divulgada pelos rebeldes, surgiu no vídeo da tevê estatal. Envergava um elegante terno azul-marinho e apresentou o novo ministro da Defesa, Fahd al-Freij.
Outros rumores não confirmados circulavam pelas ruas de Damasco e na mídia estrangeira. Asma, a mulher de Assad, já teria buscado refúgio na Rússia, segundo o diário britânico The Guardian. Maher al-Assad, irmão do presidente e comandante da IV Divisão, teria sido ferido na capital e estaria no leito de morte, segundo o diário libanês L’Orient Le Jour. Quanto ao atentado à bomba de quarta-feira, reivindicado pelo Exército Sírio Livre (ESL), corriam duas versões. O segurança de um dos participantes, na verdade um kamikaze, teria acionado os explosivos no seu cinto na sala do quartel-general. Na outra versão, um infiltrado ao séquito de um participante teria introduzido uma maleta repleta de explosivos na sala, e, uma vez fora do edifício, a teria acionado.
De qualquer modo, o fato de os rebeldes terem atingido um edifício simbólico na capital e matado Shawkat, o estrategista de todas as operações militares, os motivou na quinta-feira a dar continuidade à batalha contra as forças de Assad. Era o quinto dia de combates consecutivos no conflito que provocou 17 mil mortes em 17 meses, e agora finalmente definido como guerra civil pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Em miúdos, segundo a Convenção de Genebra, a Corte Criminal Internacional tem, em tese, autoridade para investigar “crimes de guerra” na Síria. No entanto, isso não ocorrerá sem um mandato do Conselho de Segurança da ONU. E a Rússia e a China, tudo indica, usarão seu poder de veto para evitar qualquer mandato do gênero.
*Leia matéria completa na Edição 707 de CartaCapital, já nas bancas

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